20/02/2019

Vide bula

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A lei que proibiu empresas de doarem dinheiro para campanhas eleitorais criou um efeito colateral nas últimas eleições, com executivos da indústria farmacêutica doando R$ 13 milhões para 356 candidatos. A lista de beneficiados conta com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o deputado federal Julio Cesar (PRB-DF) e o senador derrotado Cristovam Buarque (PPS-DF). O caso mais gritante foi do senador Eduardo Gomes (MDB-TO), que recebeu R$ 1,5 milhão de Ogari Pacheco, fundador do laboratório Cristália e – surpresa! – seu suplente no Senado. O lobby das farmacêuticas tem motivação clara: a indústria fatura R$ 19 bilhões com o SUS (aproximadamente 30% da sua receita) e conta com isenções fiscais da ordem de R$ 9,5 bilhões. Uma empresa do ramo, a Hypera, foi investigada pela Lava-Jato, e admitiu ter doado R$ 30 milhões a políticos ligados a Eduardo Cunha, para facilitar a aprovação de um projeto que liberasse a venda de medicamentos sem prescrição em supermercados.

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