A montanha pariu uma ameaças

17/12/2018
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Hora de cobrar

Esse é o último memetorial do ano.

E fim de ano, a gente sabe, é época de festa da firma.

E de movimentações x-rated em Brasília.

Como o aumento salarial dos ministros do STF, sancionado, em novembro, pelo nosso ex-amor Michel Temer (a contrapartida exigida por Temer foi de que o auxílio-moradia da magistratura fosse derrubado pelo Supremo).

Ou como a votação agendada para amanhã no Conselho Nacional de Justiça – a última do ano, no apagar das luzes -, para restituir sabe o quê? O auxílio-moradia da magistratura.

Ah, mas agora vão ter regras mais claras, ah, mas agora o magistrado vai precisar apresentar comprovante do aluguel, ah, mas quem consegue viver de forma digna com um teto salarial de R$ 39,3 mil?

(Aliás, vai aqui um “Quer saber mais?” no meio do texto. Quer escrever para o CNJ pedindo um mínimo de respeito com o uso dos seus impostos? Você pode fazer isso pelo site ou pelo e-mail do presidente da corte, o ministro Dias Toffoli: gabmtoffoli@stf.jus.br).

Mas fim de ano é época, também, de olhar para o que aconteceu no passado (spoiler: daqui para baixo essa news não tem mais tom de piada).

E esse ano aconteceu algo medonho – e pouco comum – na política nacional: a execução de uma representante do povo. Algo que colocou o Brasil no patamar da Colômbia da década de 1980, quando o Cartel de Medellín assassinava parlamentares, juízes, ministros e jornalistas.

Sim, estamos falando de Marielle Franco. Na semana passada, a execução da ex-vereadora do Psol-RJ completou nove meses – período em que surgiram algumas suspeitas, mas nenhuma acusação formal. Nove meses do assassinato de uma mulher negra, mãe, lésbica, nascida e criada numa favela, que lutava pelos direitos das mulheres e contra os abusos policiais. Nove meses sem resposta.

E para piorar, a última semana ainda ficou marcada pela descoberta de um novo plano para matar o deputado estadual Marcelo Freixo, também do Psol (ele já havia recebido ameaças de morte, no passado, quando coordenou uma CPI, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que resultou na condenação de três parlamentares e na prisão 246 milicianos).

Freixo e Marielle eram amigos. Antes de ser eleita vereadora, Marielle havia trabalhado por dez anos como assessora parlamentar do deputado. Depois do assassinato, tem cabido a Freixo fazer a pressão pública mais forte exigindo a resolução do caso. Por isso, ele tem dito que estará sob ameaça enquanto a morte de Marielle não for solucionada.

Será terrível virar o ano sem resposta. É hora de cobrar as autoridades.

Qualquer informação sobre o caso pode ser passada ao Disque Denúncia.

Quer saber mais?
A Anistia Internacional montou um mapa com todas as informações sobre o caso

Quer se manifestar?
Assine a petição que exige a solução do crime

Você também pode escrever para os responsáveis pela investigação:
Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública
https://twitter.com/Raul_Jungmann
https://www.facebook.com/RaulJungmann/

Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro
https://twitter.com/SegurancaRJ

Polícia Federal
https://twitter.com/policiafederal
ouvidoria@dpf.gov.br

Polícia Civil do Rio
https://www.facebook.com/pcivilrj/
https://twitter.com/PCERJ

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