A nova boy band do Congresso Nacionals

30/01/2019
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New kids on the block

Sexta-feira toma posse a nova legislatura do Congresso Nacional. A Câmara passará pela maior renovação desde a Constituinte, com 262 novos deputados (sendo que 243 serão marinheiros de primeiro mandato). O número de mulheres continua baixo: 78, ou 15% das cadeiras da casa. Ainda assim, representa um aumento de 50% em relação à legislatura passada. Os dois maiores partidos serão o PT e o PSL, com 55 deputados cada um. Já no Senado serão 46 os novatos (que representam 85% das 54 vagas disputadas no ano passado). Nomes como Cássio Cunha Lima, Eunício de Oliveira, Romero Jucá e Magno Malta ficaram de fora. No primeiro dia de trabalho as duas casas elegem seus presidentes. Na Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) é o favorito entre os oito candidatos. No Senado a disputa está mais complicada, porque Renan Calheiros (MDB-AL) é o favorito, embora não se declare candidato.

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Entenda como funciona a eleição para a Mesa Diretora da Câmara e também para a Mesa Diretora do Senado

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O Nexo explicou em um podcast como deve atuar a bancada conservadora do Congresso

Decisão lamentável

Ana Caroline Campagnolo era uma professora de história de 29 anos, que se autodeclarava conservadora, antifeminista e apoiadora do movimento Escola Sem Partido (e que havia conquistado um certo número de seguidores ao dizer que o voto feminino era “irrelevante” e que “toda vez que uma mulher é empoderada, a civilização é enfoderada”). Em outubro, uma hora depois eleita deputada estadual pelo PSL de Santa Catarina, Campagnolo ganhou fama nacional, ao estimular alunos a gravarem professores críticos à vitória de Jair Bolsonaro. Um juiz de primeira instância expediu uma liminar que a obrigava a retirar o conteúdo do ar, sob o argumento de ferir a liberdade de expressão em sala de aula. Só que nesta semana, a liminar foi suspensa por uma desembargadora, que interpretou a manifestação da deputada como um canal para que estudantes denunciem “manifestações político-partidárias ou ideológicas que humilhem ou ofendam sua liberdade de crença”.

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Em 2017, a deputada tentou, sem sucesso, processar sua orientadora do mestrado (alegou que ela havia se oposto à sua tese, intitulada “Virgindade e família”)

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O post da deputada provocou um protesto curioso

ONU contra novas barragens

Os números atualizados do novo desastre da Vale: 84 pessoas mortas e 276 pessoas desaparecidas. Ontem, em entrevista coletiva, o presidente da mineradora se comprometeu a desativar todas as barragens construídas aos moldes das que romperam em Mariana e Brumadinho (o método, chamado alteamento a montante, é bem mais vulnerável, por erguer novas camadas de contenção sobre os rejeitos). A decisão de desativá-las – que vem com três anos de atraso – é crucial, dado que uma em cada três barragens da Vale apresentam o mesmo potencial de risco que a do Córrego do Feijão. Ontem, o especialista da ONU em descarte de substâncias perigosas, Baskut Tuncat, pediu ao governo brasileiro que não autorize novas barragens até que a segurança seja garantida. A ONU também pediu que haja uma investigação imparcial do crime (vale lembrar que o governo é o maior acionista da mineradora).

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Segundo a WWF, o rompimento da barragem causou perda de 125 hectares de florestas

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