Amazônia: Brasil pode perder fundo bilionários

04/07/2019
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Fundo no poço sem fundo

Água mole em pedra dura tanto bate até que desmata. É que o empenho do antiministro Ricardo Salles em destruir o Fundo Amazônia tem avançado a passos (ou seriam pastos?) largos. Primeiro Salles atacou a credibilidade do comitê gestor, depois tentou direcionar os recursos do fundo para indenizar donos de propriedades rurais desapropriadas. Agora, Salles se reuniu com representantes da Noruega e da Alemanha, países que já doaram R$ 3,4 bilhões ao Fundo, e que reclamam – entre várias outras coisas – da extinção  de dois comitês técnicos que gerenciavam os recursos. E como terminou esse glorioso debate democrático? Com declaração das três partes de que, nessa toada, o Fundo Amazônia pode acabar. Ou seja, por pura tosquice ideológica e paranóia globalista, o país vai jogar no lixo um fundo que já recebeu mais de R$ 3 bilhões voltados à preservação da natureza. A Alemanha congelou uma doação de R$ 151 milhões que seria feita futuramente.

Quer saber mais?
Para Bolsonaro, as áreas de proteção ambiental “dificultam o progresso do país”

Quer se engajar?
A Associação dos Funcionários do BNDES e a Associação dos Servidores Públicos do IBAMA e ICMBio criaram a campanha “Em Defesa do Fundo Amazônia”

Quer se manifestar?
Escreva ao antiministro
https://twitter.com/rsallesmma

Encrenca no Incra

O Ministério Público Federal deu ao Incra um prazo de dez dias para se explicar sobre a paralização na reforma agrária. É que a autarquia não está repassando, desde fevereiro, os recursos disponíveis para o Programa Nacional de Reforma Agrária – que foi criado para auxiliar famílias de trabalhadores sem-terra que têm renda mensal menor que três salários mínimos. E claro, não há qualquer perspectiva de melhora no horizonte, visto que Jair Bolsonaro colocou o Incra sob a guarda da Secretaria de Assuntos Fundiários, que é chefiada por Nabhan Garcia, ex-presidente da União Democrática Ruralista.

Quer saber mais sobre Nabhan Garcia?
O Intercept investigou suas relações com milícias

Frango com salmonela

O frango brasileiro rejeitado pela Inglaterra está indo parar na mesa… do brasileiro. A revelação é do site Repórter Brasil, que descobriu, em investigação feita com o Guardian e o Bureau of Investigative Journalism, que 1.400 toneladas de frango com salmonela devolvidas pelos ingleses terminaram nas prateleiras nacionais. Cerca de 18% do frango comercializado no país está contaminado com salmonela, índice que está abaixo dos 20% tolerados pela lei brasileira (na Europa, o máximo tolerado é de 3,3%). A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) diz que apenas 1% da carne contaminada tem bactérias nocivas à saúde humana, e acrescenta que essa carne é cozida, virando matéria-prima de outros produtos, como nuggets e salsicha. Seara, Sadia e Perdigão estão envolvidas no caso.

Quer saber mais?
A JBS, dona da Seara, manteve compra de gado da Amazônia mesmo após ser multada em R$ 25 milhões

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