Apertem os gatilhos, o piloto sumius

21/05/2019
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Arminhas fechadas e travadas

Na semana passada, a Agência Nacional de Aviação pediu que o Ministério da Justiça revisasse o decreto que liberou o porte de armas para vinte categorias de profissionais. É que além de fazer arma dar em árvore, como se fosse banana, o decreto também permitiu que os Ministérios da Defesa e da Justiça autorizem policiais federais, civis e militares, além de integrantes das Forças Armadas e do Gabinete de Segurança Institucional a viajarem armados em aviões comerciais. Acontece que essa liberação entra em conflito com as determinações internacionais de voo, que proíbem armas nas aeronaves – o que pode levar as companhias aéreas estrangeiras a deixar de voar para o Brasil. Na semana que vem o país vai ser auditado pela Organização da Aviação Civil Internacional, que vai verificar se o decreto tornou a aviação menos segura – o que pode levá-la a emitir um alerta para os quase 200 estados-membros.

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O decreto também liberou que civis comprem fuzis

O avalista geral da República

Talvez por não ser afeito à democracia, e por não estar disposto a fazer política e lidar com o Congresso, Bolsonaro tem tentado governar através de decretos. Na semana passada, o presidente publicou uma decisão que dá à Secretaria Geral do Governo, comandada pelo ministro e general da reserva Santos Cruz, o poder de  avaliar indicações para postos de 2º e 3º escalão, além de reitores de instituições federais. A decisão aconteceu no meio da disputa entre o Exército e Olavo de Carvalho, e na briga entre as duas facções do governo, perdeu a democracia. O PSB já apresentou um projeto legislativo suspendendo os efeitos do decreto, alegando que ele fere a autonomia universitária.

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Entenda que funções vão poder ser avaliadas pelo general Santos Cruz

Salles recua

No domingo, o Ministério do Meio Ambiente voltou atrás e decidiu que vai realizar a Climate Week Latin America, feira que reúne líderes e empresas que atuam no desenvolvimento de tecnologias menos poluentes. Na semana passada, o antiministro Ricardo Salles havia anunciado o cancelamento do evento, por receio de lidar com protestos contra a sua gestão. Acontece que o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), decidiu passar por cima de Salles: entrou em contato com a Convenção do Clima da ONU, que é responsável pela Climate Week, e confirmou realização, já que não havia sido consultado sobre o cancelamento – e já que eventos do tipo são importantes para a economia de qualquer cidade. É uma pequena vitória contra a agenda anticlima do governo Bolsonaro.

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A Época publicou uma reportagem explicando como o antiministro vem trabalhando a favor do agronegócio

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