As três vítimas do crime da Vales

29/01/2019
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As pessoas

São 65 pessoas mortas e 279 desaparecidas. Mas há também os desabrigados, pelo menos 135 , que perderam tudo ou quase tudo no novo desastre da Vale. Há, por fim, toda a cidade de Brumadinho – onde moram 36 mil pessoas, que tiveram a economia e a vida social arruinadas em função do descaso criminoso da mineradora.  Ontem, moradores do município se reuniram com representantes da Vale, do Ministério Público de Minas Gerais, da OAB e do Movimento dos Atingidos por Barragens. Receberam a orientação expressa do MP de “não esperar nada da Vale”, baseado na postura da mineradora diante das vítimas de Mariana. Moradores ainda não sabem se a lama dos rejeitos é tóxica e se suas casas estão habitáveis; produtores rurais não sabem do que vão viver.

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O Ministério Público da União emitiu uma nota com um alerta para que em Brumadinho a Vale não seja lenta como tem sido em Mariana

Os animais

No rastro de destruição e morte da barragem da Vale estão também os animais: cães, gatos,  porcos e vacas (para além dos milhares de bichos selvagens) que ficaram atolados na lama, imóveis, sem condição de ser resgatados. Para poupá-los de mais sofrimento, agentes da Polícia Rodoviária Federal estão sendo obrigados a abatê-los com tiros de fuzil, de helicópteros. A pedido do deputado estadual Noraldino Júnior (PSC) a justiça de Minas Gerais determinou que a Vale atue para resgatá-los, em trabalho paralelo ao dos bombeiros. A multa é de R$ 50 mil por dia para a Vale, caso ela não cumpra a ordem.

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El País publicou uma triste galeria de fotos do trabalho de resgate

O meio ambiente

A ruptura da barragem liberou 12 milhões de metros cúbicos de lama no Córrego do Feijão. O dejeto tóxico percorreu 7 quilômetros e desembocou no Rio Paraopebas, um dos afluentes do São Francisco. A expectativa é de que a lama atinja a hidrelétrica de Três Marias entre os dias 15 e 20 de fevereiro. Se passar dali, contamina o maior rio do Nordeste. A barragem do Córrego do Feijão era classificada como de baixo risco – e mesmo assim se rompeu -, mas de dano potencial alto, a categoria que avalia o perigo  para o meio ambiente.  Por ora não é possível prever o dano a longo a prazo, apesar de vários peixes já terem morrido asfixiados. A barragem de Mariana, que rompeu há três anos fez com que em vários pontos do Espírito Santo a pesca ainda seja proibida. Nas cidades de MInas por onde passa o Rio Doce, o prejuízo foi de R$ 1,2 bilhão. Em 2017, a Vale registrou lucro líquido de R$ 17,6 bilhões.

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A Vale sabia dos problemas da barragem, mas omitiu essa informação do público

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