Bolsonaro restringe ainda mais participação civil no governos

16/04/2019
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Destruir para governar

Em uma canetada só, como tem sido a praxe, Jair Bolsonaro encaminhou a extinção de todos os colegiados com papel consultivo na administração federal. Morrem, assim, o Conselho Nacional das Pessoas com Deficiência, o Conselho Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil e o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, por exemplo (o total deve chegar a 34). A justificativa foi desburocratizar a gestão pública, mas o próprio Bolsonaro ressaltou o caráter ideológico ao postar que a medida traria “redução do poder de entidades aparelhadas politicamente usando nomes bonitos para impor suas vontades”. Entidades civis criticaram o decreto, lembrando que o fim dos conselhos restringe a participação da sociedade no governo.

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No Meio Ambiente, foram extintos o Fórum Brasileiro de Mudança do Clima e a Comissão Nacional de Florestas, entre outros

Desmedido e descabido

No dia 7 de abril, o Fantástico levou ao ar uma reportagem do jornalista Carlos de Lannoy denunciando mortes causadas por militares no Rio de Janeiro. Minutos depois, Lannoy recebeu uma ameaça em seu perfil no Instagram:  “Mexeu com o Exército, assinou sua sentença. Sua família vai pagar. Aguarde cartas”. Prudente, publicou a ameaça em seu perfil do Twitter – o que fez com que o autor, Erik Procopio, pedisse desculpas, dizendo que o comentário havia sido “desmedido e descabido”. A Federação Nacional dos Jornalistas defendeu que haja punição a Procopio e orientou jornalistas ameaçados a procurarem suas empresas e sindicatos. A Abraji também se manifestou, recomendando que jornalistas procurem as autoridades judiciais.

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Entre janeiro e outubro do ano passado 153 jornalistas sofreram algum tipo de agressão com motivação política

Desmedido e descabido – Parte II

Uma coisa (já lamentável, e criminosa) é um jornalista ser ameaçado por um cidadão comum, que se vale do distanciamento proporcionado pela internet para exercer uma valentia que não resiste à primeira resposta. Outra, extremamente mais grave, é um jornalista ter o endereço de sua casa exposto, na internet, por um sujeito descompensado que, por obra do estranho momento em que vivemos, acabou por se tornar o líder de um secto. Foi o que fez, nesta semana, o tuiteiro Olavo de Carvalho, após ter seu curso online descrito numa reportagem da revista Época assinada pelo jornalista Denis Russo Burgierman. Além de publicar o endereço e uma imagem da casa de Burgierman, Olavo também incentivou seus 576 mil seguidores do Facebook a levantarem “tudo o que vocês souberem” sobre o jornalista.

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Nesta semana, o STF censurou uma reportagem da Crusoé que ligava o ministro Dias Toffoli à Odebrecht. Em resposta, o The Intercept Brasil republicou o texto, mais por defender a liberdade de imprensa do que por endossar o conteúdo

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