Bolsonaro tem nova derrota armamentistas

07/11/2019
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CACs de aluguel

O plano de Jair Bolsonaro de transformar o Brasil num filme de Tarantino sofreu uma derrota na Câmara. Na terça-feira, os deputados aprovaram uma proposta de mudança ao Estatuto do Desarmamento bem menos agressiva do que a que havia sido enviada pelo Planalto. O Projeto de Lei original previa o porte de armas para auditores da Receita, oficiais de Justiça, peritos criminais, agentes do sistema socioeducativo e vigilantes. No fim das contas, as poucas mudanças permitidas acabaram restritas à categoria dos Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs), que já possui porte de arma. Esse não foi o primeiro revés do tipo, já que no começo do ano, Bolsonaro havia tentado armar a população, sem sucesso, por meio de decretos presidenciais (que só não foram derrubados porque retirados de pauta pelo próprio governo). O PL agora segue para o Senado.

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O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) explicou que o PL foi derrotado por uma articulação que contou com o centrão, a bancada evangélica e a bancada das mulheres

Ouro de tosco

Também na terça-feira, Bolsonaro se reuniu com um grupo de garimpeiros da Federação Brasileira da Mineração que, enfurecidos, chamaram o antiministro Ricardo Salles – vejam só como as coisas são relativas – de “ativista ambiental”. Para conter a ira da trupe, Bolsonaro prometeu tomar atitudes para evitar que os equipamentos apreendidos em operações ambientais sejam destruídos (a destruição, que é amparada por um decreto de 2008, só ocorre na impossibilidade de rebocar os equipamentos, ou quando há risco de ações armadas). Bolsonaro também prometeu passar para o Ministério de Minas e Energia a atribuição de conceder lavras de garimpo, que hoje está a cargo da Agência Nacional de Mineração (ANM). E por quê? Porque na ANM os cinco diretores cumprem mandato – o que os deixa menos suscetíveis à influência política.

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Neste ano a Polícia Federal registrou um aumento de 17% no número de inquéritos que investigam garimpo ilegal na Amazônia

787%

No tocante à cuestão dos incêndios na Amazônia, o pior passou. Mas a destruição da floresta não diminuiu. De acordo com o Imazon, em setembro a Amazônia perdeu 802 km² de floresta (o equivalente a mais da metade da área da cidade de São paulo), um aumento de 80% em relação a setembro de 2018. O instituto também fez uma diferenciação entre desmatamento – que é a remoção completa das árvores – e degradação – que é a destruição parcial da floresta. E se os dados de desmatamento são alarmantes, os da degradação são ainda piores: 1.233 km² de floresta danificados, área 787% maior que a registrada em setembro passado. Os estados que registraram as maiores taxas de desmatamento foram Pará (53%) e Rondônia (13%).

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Agora os incêndios são no Pantanal, que já perdeu o equivalente à cidade do Rio de Janeiro

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