Brasil dá mais um passo atrás na diplomacias

28/03/2019
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Convenção 169

Nesta segunda feira, em Genebra, o Brasil foi o único, entre 48 países, a ter votado contra uma resolução da Organização Internacional do Trabalho que defende os povo indígenas. De acordo com a Convenção 169, o governo deverá consultar os povos indígenas cada vez que houver medidas administrativas ou legislativas capaz de afetá-los. A divergência com a Convenção 169 não é acaso, dado que Jair Bolsonaro atacou a Funai desde o seu primeiro dia no cargo. Agora o governo pretende construir uma linha de transmissão ligando o estado de Roraima ao sistema elétrico nacional (o abastecimento elétrico de Roraima vem da Venezuela). Cento e vinte dos 700 km da linha passariam por uma reserva dos Waimiri Atroari, e a etnia está reticente com a ideia da obra. Caso siga adiante, o governo poderá abandonar uma convenção multilateral assinada por 48 países, o que pode ter um custo diplomático.

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A Funai está operando com apenas 10% do orçamento previsto para 2019

Servidor público, com orgulho

Emanuelle Netto trabalha na Secretaria de Segurança Pública do Rio. Como é especializada em tecnologia da informação, criou um sistema integrado de rádio, que melhorou a comunicação entre as polícias Civil e Militar. Robinson Nemeth é analista de sistemas do INSS. Ampliou o número de agendamentos na agência em que trabalhava – e foi convidado a implementar o modelo em outras 1.400 pelo país. Jair Schmitt é funcionário do Ibama. Criou um modelo matemático para medir como a fiscalização impede novas infrações ambientais. Os três estão entre os vencedores da edição de 2018 do Prêmio Espírito Público, que condecora funcionários públicos que realizam trabalhos de excelência. As inscrições para a edição de 2019 foram abertas nesta semana, e vão até o fim de abril. Cada um dos 18 vencedores vai ganhar um prêmio de R$ 10 mil e uma viagem de uma semana, para conhecer boas práticas de gestão em outros países. O prêmio é uma iniciativa de ONGs como a Fundação Lemann e o Instituto Humanize.

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Conheça Prêmio Espírito Público

A Câmara e a cota

Na última terça-feira o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, recebeu ativistas e parlamentares ligados ao movimento negro, que estão preocupados com os ataques à lei de cotas (a preocupação é pertinente, dado que a deputada Dayane Pimentel, do PSL-BA, protocolou um Projeto de Lei para acabar com esse direito). Maia lembrou que foi contrário às cotas raciais no começo, mas que hoje reconhece os resultados positivos da política, e que não vê motivo para mudança na legislação atual. O número de estudantes pretos e pardos com graduação universitária aumentou de 2,2% para 9,3% em entre 2000 e 2017.

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O Movimento Negro Unificado aproveitou a ocasião para entregar uma carta com reivindicações ao presidente da Câmara

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