Brasil vintage: Senado quer a volta do amiantos

02/05/2019
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Telhado de amianto

Na semana passada um grupo de senadores, entre eles o presidente da casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), esteve em Goiás para conhecer uma produção de amianto – mineral que foi muito usado na construção civil. Saíram de lá comprometidos a liberar a produção, proibida desde 2017 pelo STF – a exemplo do que também ocorre em mais de 60 países, como Chile, Argentina, Honduras, Alemanha e Noruega. O amianto é altamente cancerígeno, além de provocar asbestose, uma doença que diminui a capacidade respiratória. A Organização Mundial de Saúde já alertou para os perigos do mineral, que mata mais de 100 mil pessoas por ano.

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Conheça a história de ex-trabalhadores da indústria do amianto, e como o contato com o minério prejudicou a sua saúde

As árveres não somos nozes

Não bastou ao senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) propor um projeto de lei que ataca o Código Florestal, acabando com as obrigações de donos de imóveis rurais de manter a vegetação nativa em um percentual da sua propriedade. Como de onde não se espera nada é que não vem nada mesmo, o Zero Um e o co-autor do PL, o senador Marcio Bittar (MDB-AC), ainda escreveram uma carta estapafúrdia em defesa do projeto. Negaram, por exemplo, que florestas sejam responsáveis pela formação das chuvas (o que está obviamente errado). Também afirmam que “apesar do aumento de emissão de CO2, o mundo está passando por um resfriamento global” (errado de novo). De brinde, ainda salpicaram a carta com as teses paranóicas de sempre, de que “de grupos anticapitalistas vão criando ondas de discursos apocalípticos para barrar o progresso” – ao que chamaram de “ideologia verde”. No final, a dupla ainda faz uma afirmação no mínimo falaciosa, ao associar o desenvolvimento econômico dos EUA com o percentual de terras que o país tem voltada à agropecuária.

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Flávio Bolsonaro quer progresso no campo? Que tal fazer como os EUA do século XIX, e promover uma reforma agrária?

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Indígenas contra a MP

Na semana passada aconteceu, em Brasília, a 15ª edição do Acampamento Terra Livre, uma reunião de grupos indígenas, que ocorre todo ano, para pressionar o governo e o Congresso pelos seus direitos. Este ano os líderes do movimento demandaram a revogação do trecho da Medida Provisória 870/19 que tirou da Funai a responsabilidade pela demarcação de terras indígenas, entregando a atribuição ao Ministério da Agricultura. Além disso, pediram que a Funai volte à guarda do Ministério da Justiça – e não dos Direitos Humanos, como tem sido desde que a MP foi promulgada por Jair Bolsonaro. Conseguiram fazer com que os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), se comprometessem a reverter a decisão, que ainda vai ser votada pelo Congresso.

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O MPF emitiu uma nota técnica defendendo a inconstitucionalidade da medida que esvaziou o Incra

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