Buuuu! O fantasma do comunismo que assombra a USPs

24/04/2019
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É fascismo que chama?

A base do governo João Dória criou na Assembleia Legislativa de São Paulo uma CPI para investigar as universidades públicas estaduais, sob a justificativa de enfrentar o “aparelhamento de esquerda” e os “gastos excessivos” na USP, na Unicamp e na Unesp. A comissão, instaurada a partir de um requerimento do deputado Wellington Moura (PRB), vice líder do governo, questiona a autonomia universitária, que está garantida na Constituição. Os deputados pretendem mudar também o sistema de lista tríplice para a escolha dos reitores (pela lógica atual, o titular é nomeado pelo governador, a partir de três nomes mais votados pela comunidade universitária). O argumento? A crença de que as universidades estão dominadas pela esquerda.

Quer se manifestar?
Questione o deputado Wellington Moura
https://twitter.com/well10moura

Magno ressuscitado

O projeto que proíbe definitivamente o aborto no Brasil, de autoria do ex-senador Magno Malta (PR-ES), insiste em não morrer. Apresentada em 2015, a PEC 29 tenta criminalizar o aborto mesmo nos casos em que ele já é permitido (quando a gravidez decorre de violência sexual, quando há risco de vida para a mãe, ou quando o feto é anencéfalo). A apreciação da PEC está agendada para amanhã na Comissão de Constituição e Justiça do Senado; se aprovada, pode ir para o plenário. Com Magno Malta fora da casa, o projeto precisou ser ressuscitado por um requerimento, do senador Eduardo Girão (Podemos-CE) e agora tem relatoria da senadora Juíza Selma (PSL-MT).

Quer saber mais?
A relatora da PEC teve seu mandato cassado pelo TRE de Mato Grosso por abuso do poder econômico

Quer pressionar?
Assine a petição contra a aprovação da PEC pela Comissão

Passado em perigo

O revogaço promovido por Bolsonaro na semana retrasada periga acabar com o Grupo de Trabalho Perus, que é responsável por identificar desaparecidos políticos entre as ossadas de uma vala clandestina em São Paulo. O Grupo é ligado ao Ministério dos Direitos Humanos, que emitiu uma nota dizendo que vai manter as atividades de busca. O problema é que a autoridade acima do ministério – no caso, o presidente Jair Bolsonaro – ostentava com orgulho, em seu gabinete, um cartaz com a frase “Quem procura osso é cachorro”, na saudosa época em que era apenas deputado federal. A vala de Perus foi descoberta em 1990; suspeita-se que abrigue os restos de 40 presos políticos assassinados por policiais e militares durante a ditadura.

Quer saber mais?
Entenda a história da identificação dos mortos na vala de Perus

Quer pressionar?
Fale com a ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves
https://twitter.com/DamaresAlves

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