Cliente-amigo paga menos na reforma da previdências

09/07/2019
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Diga oitenta e três

A PEC da reforma da Previdência, que deve ser votada hoje no Plenário da Câmara, já nasce com uma derrota. No apagar das luzes, a comissão especial criada para avaliar a proposta aprovou uma mudança no relatório em benefício do agronegócio. A mudança retirou do texto a incidência de contribuição previdenciária sobre as exportações agrícolas, o que vai representar uma renúncia fiscal – e um consequente impacto nas contas públicas – de R$ 83 bilhões nos próximos dez anos. Ou seja, a economia tão anunciada de R$ 1 trilhão já vem garfada em quase 10%, devido ao lobby do agronegócio (não custa lembrar o patético “Esse governo é de vocês!”, dito por Bolsonaro durante um café da manhã com a Frente Parlamentar da Agropecuária, na semana passada).

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CPI de Brumadinho

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o crime da Vale em Brumadinho recomendou o indiciamento criminal de 14 pessoas. Fábio Schvartsman, ex-presidente da companhia, está na lista, assim como outros 11 executivos da Vale e dois engenheiros da Tüv Süd. O relatório vai ser encaminhado para o Ministério Público (tanto o Federal quanto do Estado), a Polícia Civil de Minas Gerais e para a Polícia Federal, com a sugestão de que os executivos respondam por homicídio com dolo eventual, lesão corporal culposa e destruição culposa da flora e da fauna (as penas somadas podem chegar a sete anos de prisão). A CPI concluiu que houve deficiência na construção e ampliação da barragem, interferência de funcionários da Vale no resultado de laudos de segurança (que deveriam ser independentes) e que o alto escalão da empresa tinha conhecimento dos riscos. Além dos 246 mortos, 24 pessoas continuam desaparecidas.

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Um funcionário da Vale afirmou na CPI que foi detectado vazamento de lama antes do rompimento da barragem

Astronauta libertado

O ministro da Ciência e Tecnologia, o Astronauta Brasileiro Marcos Pontes, é um estranho no ninho no governo Bolsonaro. Primeiro ele afirmou que sente “um nó no estômago” quando ouve dizer que a Terra é plana (ideia estapafúrdia aventada pelo guru do governo, Olavo de Carvalho). Agora, foi de uma sobriedade rara em terra de araújos, weintraubs e damares. É que na semana passada, dez ex-ministros da Ciência e Tecnologia, dos governos Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula e Dilma, publicaram uma carta aberta criticando o desmonte da pasta – e por consequência da produção científica brasileira (o texto ainda criticava o desprezo pelas “evidências científicas na definição de políticas públicas”). E qual foi a reação de Pontes? Usou o coringa da “ideologia”? Respondeu com um vídeo ridículo? Não. O astronauta disse que a iniciativa é “excelente”, e que o apoio dos ex-ministros pode ajudar a aumentar o orçamento da pasta, que diminui desde 2013.

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