Decreto das armas agoniza, mas não morres

26/06/2019
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Que tiro foi esse?

Parece chacota – e é, mas acrescida também de incompetência e pitadas de psicopatia. Depois de ser derrubado no Senado, o decreto das armas – aquele publicado em maio, que concedia porte até para as marmotas do MemeNews -, rumava para uma derrota também na Câmara. E o que fez Bolsonaro? Deu um aparente recuo, revogando o texto ontem pela tarde. Só que junto do recuo veio um avanço maroto – pra não dizer desonesto -, na forma de três novos decretos, com teor idêntico ao do anterior: ou seja, limite de munição em 5 mil cartuchos (ante os 50 permitidos até a eleição de Bolsonaro), e autorização de porte para as mesmas 20 categorias profissionais, como advogados, caminhoneiros e oficiais de justiça. A manobra visou unicamente atrasar a apreciação do tema no Congresso e no STF, que votaria hoje a constitucionalidade do decreto.

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O Instituto Sou da Paz chamou a manobra de “deboche”

Dollynho, seu inimiguinho

Um levantamento do portal De Olho nos Ruralistas mostrou que 50 empresas ligadas ao agronegócio são responsáveis por uma dívida de R$ 205 bilhões com a União. Para se ter uma ideia do montante, o governo prevê fechar 2019 com um déficit de R$ 139 bilhões, já considerando o contingenciamento no orçamento. Ou seja: se essas empresas – que são controladas por 19 grandes corporações – pagassem o que devem, o país poderia atingir o tão sonhado superávit. Para piorar, apenas três das empresas são responsáveis por 76,3% das dívidas: Parmalat (R$ 67,7 bilhões), Dolly (R$ 60,8 bilhões) e JB Duarte (R$ 36,7 bilhões). A Dolly, inclusive, está envolvida em um processo por fraude fiscal – o que levou o dono do grupo à prisão – e em outro, por desmatar uma área de preservação na grande São Paulo. O levantamento foi feito a partir de dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

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A cada três empresas que devem ao fisco, uma pertence ao agronegócio

Uma São Luís em um mês

De acordo com o Imazon, o desmatamento na região da Amazônia Legal aumentou 26% em maio deste ano, se comparado ao mesmo período no ano passado (800 km² de floresta postos abaixo no mês,  área quase igual à da a cidade de São Luís, no Maranhão, sendo um terço em unidades de conservação). Um dos estados mais afetados foi o Pará, responsável 40% da área desmatada – situação que pode piorar, já que a Assembleia Legislativa aprovou um projeto de lei que facilita a posse de terras públicas adquiridas através de grilagem

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Um estudo aponta que a privatização de terras na região da Amazônia pode custar até R$ 118 bilhões aos cofres públicos

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