Escolinha do Professor Jairs

21/02/2019
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Nota zero em pluralidade

Vem aí mais uma decisão ideológica no combate a uma “ideologia”. Com pouquíssimos problemas para lidar, o governo vai criar uma comissão para excluir do Enem questões que tenham conteúdo ligado à “ideologia de gênero” (trivia: nenhum educador sério fala em ideologia de gênero). Segundo Marcus Vinicius Rodrigues, atual presidente do Inep, o órgão responsável pelo Enem, discussões de gênero não serão mais pertinentes à prova, sob a justificativa de que o tema não cabe à escola, e sim à família (ou seja, nada de redação como a de 2015, que versava sobre a “persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”). Especialistas criticaram a iniciativa, lembrando que o Enem é elaborado por um grupo plural de educadores – e que um pente fino pode prejudicar essa pluralidade. Resta convencer o Tio Bolsonaro, que já avisou querer ver a prova antes da sua aplicação.

Quer questionar?
Fale com o Ministro da Educação, Ricardo Vélez, ou com o chefe dele
https://twitter.com/ricardovelez
https://twitter.com/jairbolsonaro

Comissão da memória

Um grupo de 20 intelectuais lançou ontem a Comissão Arns, uma organização para proteger direitos de minorias, como a população negra e LGBT. Notáveis em suas áreas de atuação, como o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, o cientista político André Singer e o ex-secretário de Direitos Humanos Paulo Sérgio Pinheiro compõem o grupo. O nome homenageia Dom Paulo Evaristo Arns, ex-cardeal arcebispo de São Paulo, que criou a comissão de Justiça e Paz, durante a ditadura militar, para apurar e denunciar casos de tortura. A Comissão Arns não pretende atuar como oposição ao governo, mas como rede de proteção, dando suporte para denúncia pública quando algum direito fundamental for violado.

Quer saber mais?
Para o presidente da Comissão Arns o discurso violento de autoridades cria um clima de “liberou geral”

De olhos bem abertos

O Instituto Socioambiental lançou um site para monitoramento das terras indígenas da Amazônia Legal. O Terra+ vai avaliar 361 áreas protegidas a partir de parâmetros como estabilidade jurídica, integridade ambiental e presença de obras no entorno (a tendência, com o tempo, é expandir o escopo para outras regiões). Os dados são coletados em órgãos oficiais, como o Ministério do Meio Ambiente, o Incra e o Ibama, e com colaboradores indígenas e não indígenas. A iniciativa vem em um momento importante, dada a onda de ataques, e as manifestações do antimininistro do Meio Ambiente, que defendeu a plantação (ilegal) de soja em área indígena.

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Depois de receber ameaças, um líder indígena na Bahia precisou pedir proteção a sua família ao Ministério Público

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