Funcionário do mês: Ricardo Salless

12/09/2019
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Austeridade criminosa

Fofo. Austero. Responsável. Superavitário. Orgulho do Paulo Guedes. O que mais se pode dizer do funcionário do mês, o antiministro do Meio Ambiente Ricardo Salles? Primeiro Salles fez o governo parar de mamar nas tetas da Noruega e da Alemanha, cortando o Fundo Amazônia. E agora, o Estadão apurou que o antiministro nem sequer usou a verba disponível para o seu ministério. Até a semana passada, o MMA só empenhou R$ 1,17 milhão em ações de planejamento e gerenciamento (no ano passado foram R$ 35,6 milhões). E o caso não é apenas de falta de recursos, porque embora R$ 15,5 milhões do orçamento tenham sido contingenciados, a pasta ainda tinha R$ 25,2 milhões para gastar. Para piorar, sabe em que parte do antiministério os recursos foram aplicados à risca?  No Núcleo de Conciliação Ambiental, órgão criado por Salles para anistiar multas ambientais.

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Licença para matar

Divulgado nesta semana, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostrou que o número de homicídios caiu 10,4% de 2017 para 2018 – mas a letalidade policial teve um aumento de 19,6% (e isso antes da eleição de Bolsonaro, Witzel e cia limitada). Em valores relativos, o crescimento foi maior em Roraima (183,3%), Tocantins (99,4%) e Mato Grosso (74%). Mas em números absolutos, nenhuma polícia matou mais que a do Rio de Janeiro: foram 1.534 casos, quase o dobro do segundo lugar, a Bahia, que teve 794 registros de óbito. Em nível nacional, 11 de cada 100 mortes violentas intencionais foram causadas por policiais, índice que acusa execuções e uso abusivo da força. O Anuário é produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a partir de informações fornecidas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública e outras fontes oficiais.

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O Anuário também mostra que o Brasil registrou 180 casos de violência sexual por dia em 2018 – e a maior parte das vítimas era menor de idade

Ai que susto!

Quando vai dormir (e principalmente quando acorda), o elenco do governo Bolsonaro vê mais bicho papão do que criança em filme da franquia Monstros S.A. Tome comunismo pra cá, globalismo pra lá, climatismo, gayzismo, feminismo (menos nepotismo). Agora, em nome do combate a um desses fantasmas, o governo decidiu manter sob sigilo, até 2024, documentos que expliquem o motivo pelo qual passou a proibir o uso dos termos “igualdade de gênero” e “educação sexual” em textos oficiais enviados à ONU. A marcha para o atraso começou em março, quando o país fez ressalvas a um texto da ONU que defendia os direitos reprodutivos da mulher (a alegação do chancelelé Ernesto Araújo era de que certas expressões poderiam dar margem à “promoção do aborto”). Tudo isso enfraquece ainda mais a candidatura do Brasil a uma vaga no Conselho de Direitos Humanos da entidade, ainda mais  porque o documento da campanha não faz nenhuma menção a proteção de grupos LGBT ou a políticas de gênero.

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