Governo convoca Força Nacional por medo dos… indígenas!s

18/04/2019
_____

Farsa nacional

Ontem o governo convocou a Força Nacional para fazer a segurança da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes pelos próximos 30 dias. A ameaça?  O Acampamento Terra Livre, uma marcha de povos indígenas que acontece há 15 anos, sempre no mês de abril,  seja qual for o governo. Bolsonaro já tinha atacado o movimento na semana passada, pelo Facebook, ao dizer que o “encontrão de índios” é pago com dinheiro público (o que a organização do evento desmentiu). O general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, alegou que a Força Nacional (ou seria Farsa Nacional?) foi convocada para “desencorajar que manifestações descambem para a violência” – o que jamais ocorreu, dado que o movimento é promovido em caráter pacífico há 15 anos.

Quer saber mais?
O PSOL protocolou um projeto para anular a convocação da Força Nacional

Quer ajudar o Acampamento Terra Livre?
Faça uma doação ao movimento

Damares, a ilusionista

A prestidigitação é a habilidade de usar as mãos para distrair as pessoas, técnica comum entre os ilusionistas. Quando não está agindo com a sutileza de um furacão, Damares Alves, a ministra dos Direitos Humanos, parece usar truques de prestidigitação para distrair a audiência. Nesta semana, a ministra disse que na sua concepção cristã, a mulher deve ser submissa ao homem. Mas também nesta semana, a Pública divulgou uma reportagem mostrando que Damares destituiu 15 membros da Comissão de Anistia. O grupo agora conta com cinco militares, inclusive um que questionou se o Exército havia torturado e matado durante a ditadura. Se não bastasse, a presidência da comissão está ocupada pelo ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro, o advogado João Henrique Nascimento de Freitas, que já processou o Governo do Rio contra a lei estadual de concessão de anistia. O atual colegiado autorizou apenas 8 pedidos de anistia, negou 271 e arquivou 88 processos.

Quer saber mais?
O Aos Fatos explicou como funciona a indenização aos anistiado

Tiros do além

Em novembro de 2017, uma operação no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, deixou oito mortos. Uma testemunha afirmou que os tiros foram disparados do mato por homens vestidos de preto, que usavam capacetes e portavam fuzis com mira a laser, equipamento associado aos militares. De fato, quatro dias antes da operação, o Exército havia posicionado uma equipe nas matas da região. Mesmo assim o Ministério Público do Estado e o Ministério Público Militar arquivaram seus inquéritos, com a justificativa de que nem policiais, nem militares, e nem traficantes haviam sido responsáveis pelos disparos. Ou seja: oito pessoas mortas com 35 tiros de fuzil, mas ninguém atirou. A Humans Rights Watch emitiu uma nota criticando a falta de empenho dos procuradores.

Quer saber mais?
Entenda como foi a operação que matou oito pessoas no Salgueiro

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.