Governo quer garimpo, se não der pau vai comers

24/07/2019
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Tenebrosas transações

O governo já tem pronto o projeto de lei que vai enviar ao Congresso para permitir que a mineração seja explorada em Terras Indígenas. O PL prevê que os povos indígenas tenham poder de veto – embora não especifique como seria feito o processo de consulta às comunidades. Por outro lado, prevê também que eles, os indígenas, sejam remunerados com royalties pela exploração do garimpo – embora tampouco especifique que valor seria repassado. Lideranças indígenas criticaram a posição do governo, que os manteve de fora da formulação do texto. Ainda que pareça respeitar a autonomia dos povos originários, prometendo compensações, a ideia ignora o papel do garimpo na destruição do meio ambiente, além de atropelar, na base do dinheiro, o bom trabalho de conservação feito em Territórios Indígenas. O PL foi elaborado por integrantes do Ministério de Minas e Energia, da Funai (que foi esvaziada pelo governo) e, claro, do Antiministério do Meio Ambiente.

Quer saber mais?
Na terra dos Yanomami, em Roraima, já são mais de 20 mil garimpeiros atuando ilegalmente

Verde é a cor mais quente

Você sabe o que é greenwashing? É uma espécie de “maquiagem ambiental” que ocorre quando uma empresa adota um discurso ecologicamente correto, mas não toma qualquer medida para tornar a produção mais sustentável. Pois o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor analisou 509 produtos de higiene, beleza e limpeza doméstica que continham algum tipo de sinalização socioambiental. Resultado? Greenwashing em 47,7% dos casos (um exemplo: 168 produtos eram vendidos como ambientalmente corretos, mas não apresentavam nenhum estudo ou laudo que o comprovasse). A pesquisa resultou em uma página para ajudar o consumidor a identificar indícios de greenwashing.

Quer saber mais?
Leia o relatório completo da pesquisa feita pelo Idec

Quer saber por onde anda o Hulk da Vila Cruzeiro?
Foram 25 doses de “greenwashing” para voltar ao normal

Agrotóxico no VAR

A Anvisa mudou a classificação dos agrotóxicos comercializados no Brasil. Agora, os venenos vão ser distribuídos em seis grupos: extremamente tóxico, altamente tóxico, moderadamente tóxico, pouco tóxico, improvável de causar dano agudo, e não classificado (por ter baixa toxicidade). Apesar de rebaixar a classificação de certos produtos, a mudança é bem vinda, dado que antes havia apenas quatro categorias – o que tornava a classificação menos precisa. Além disso, o novo marco regulatório é recomendado pela ONU e adotado em 53 países, inclusive da Europa, referência no controle de agrotóxicos. Ao adotar o padrão internacional, o Brasil vai poder consultar a classificação para um determinado produto nesses países antes de permitir que ele seja comercializado por aqui. Os 2.300 agrotóxicos vendidos no país já estão sendo reclassificados.

Quer entender melhor as mudanças feitas pela Anvisa?
O G1 explicou como era e como vai ficar o marco regulatório dos agrotóxicos

Quer saber mais?
Nesta semana o governo liberou a comercialização de mais 51 agrotóxicos, chegando a 262 só em 2019

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