Hit do CarnaDoria é a fantasia de Bolsonaros

22/01/2019
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É melhor jair se doriando

O governador de São Paulo, João Doria, já se fantasiou de gari, jardineiro, agente de trânsito, cadeirante e até de prefeito da cidade mais populosa do país. Seu fetiche atual é fantasiar-se de Jair Bolsonaro. Depois de passar a campanha dizendo que em seu governo a polícia iria atirar para matar, João Atirador vetou uma lei, já aprovada na Alesp, que criava o Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento à Tortura. Alegou inconstitucionalidade, já que o comitê seria ligado à Assembleia, o que fere o princípio da separação dos poderes (na semana passada, Dória usou o mesmo argumento para vetar o PL que obrigava a Delegacia da Mulher a funcionar num regime de 24 horas). Mecanismos parecidos com o comitê contra a tortura já existem em 18 estados, como Rio de Janeiro, Maranhão e Ceará. Cinquenta ONGs assinaram uma carta criticando o veto do governador.

Quer saber mais?
A criação do comitê seria importante, principalmente porque Doria pretende privatizar os presídios estaduais

Quer se manifestar?
Fale com o governador
https://twitter.com/jdoriajr

Terror de quem?

A história é complicada, e o desfecho, muito preocupante. Começa em Santa Helena de Goiás, com o MST ocupando a fazenda de uma empresa que tem R$ 1,2 bilhão em dívidas com a União. Continua com o dono da fazenda recebendo um termo de reintegração de posse, e o movimento concordando em sair desde que a plantação de milho seja mantida até a colheita (a negociação teria sido amigável, tanto que o antigo comandante da PM é testemunha de defesa do MST). Só que durante a reintegração, funcionários da fazenda usam um trator para jogar glifosato – um agrotóxico proibido na França – na plantação orgânica. Militantes do MST incendeiam o trator, e acabam sendo condenados por integrar uma “organização criminosa”. A decisão do juiz Thiago Boghi abre um perigoso precedente, porque enquadra o MST, pela primeira vez, na Lei Antiterrorismo de 2013.  Dado que o presidente prometeu “tratar os atos do MST como terrorismo”, o futuro pode ser de muita insegurança para os movimentos sociais.

Quer saber mais?
O Senador Lasier Martins (PSD-RS) tem um projeto de lei que amplia a classificação de terrorismo

Quer saber um dado curioso?
O Justiça é cega, mas o juiz Thiago Boghi parece ter olhos bem atentos para a opinião de Bolsonaro 

Quer se manifestar?
Escreva para a Comarca de Santa Helena de Goiás, aos cuidados do juiz Thiago Boghi
comarcadesantahelena@tjgo.jus.br

Veneno que não acaba mais

O governo ainda não tem um mês, mas o Ministério da Agricultura já liberou a comercialização de 40 novos agrotóxicos. A aprovação de 28 dessas substâncias já foi publicada no Diário Oficial, e chegou como herança do governo Temer (uma delas é considerada extremamente tóxica, e outras quatro entram na categoria altamente tóxica). Os outros 12 agrotóxicos – esses da lavra do governo Bolsonaro – terão a licença publicada nos próximos dias. No cardápio das substâncias liberadas está o Fipronil, um inseticida proibido na União Europeia. O número de agrotóxicos liberados no Brasil, que vem aumentando consideravelmente nos últimos anos, chegou a 450 no ano passado.

Quer saber mais?
Além da PL do Veneno, tramita na Câmara uma Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, a PNaRA

Quer se engajar?
Agora que você já sabe que ela existe, assine a petição em apoio à PNaRA

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