Hoje é dia de retrospectiva, bebês

31/01/2019
_____

Nota dos editores

Perdeu uma edição do MemeNews? Deixou passar um e-mail? Seus problemas acabaram. Todo dia 31, a sua newsletter preferida vai publicar um apanhadão com cinco notícias importantes do mês [também pode ser nos dias 30 (nos meses que terminam em 30), ou 28 (em fevereiro), ou 29 (nos fevereiros bissextos; ano que vem tem, inclusivemente falando)]. É uma chance de você recuperar o que foi perdido – e é, sobretudo, uma chance de dar aquele alô para o seu malvado favorito.

E ainda é janeiro

Janeiro foi um mês especialmente profícuo em matéria de barbaridades. Houve o desastre da Vale (o segundo em três anos), houve o decreto presidencial que afrouxou as regras para a posse de armas, houve o esvaziamento de autarquias fundamentais para a defesa da natureza, da demarcação de terras indígenas e da reforma agrária. Na edição de hoje, MemeNews vai relembrar cinco notícias – não necessariamente as mais importantes do mês, mas aquelas em que a sua mobilização fez ou ainda pode fazer a diferença.

De boca bem fechada

Enquanto Bolsonaro fazia o seu debut triunfal em Davos, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, assinou um decreto mudando a Lei de Acesso à Informação. Agora, uma penca de funcionários públicos – até assessores comissionados – vão poder classificar documentos como “ultrassecretos”, o que os colocará sob um sigilo de 25 anos (antes a prerrogativa era reservada a presidente, vice, ministros, comandantes das Forças Armadas e chefes de missões diplomáticas). Mourão alegou que a mudança foi para diminuir a burocracia.

Quer saber mais?
Entenda o que muda com o decreto

Quer pressionar?
Peça mais transparência ao presidente
https://twitter.com/jairbolsonaro
Ou ao seu vice
https://twitter.com/GeneralMourao

E de olhos bem abertos

O ano começou com o nosso chanceler eruditão, Ernesto Araújo, recomendando que os brasileiros escutassem “menos CNN e mais Raul Seixas”. Só que semanas depois, a emissora americana cedeu sua marca para uma empresa brasileira criar a CNN Brasil. A empresa vai ser controlada por Douglas Tavolaro, até então vice-presidente de jornalismo da Record. Tavolaro é sobrinho, braço direito e biógrafo de Edir Macedo, o todo poderoso da Universal, a emissora BFF de Bolsonaro. Não por acaso, dias antes, o deputado federal Eduardo Bolsonaro havia publicado um tuíte avisando: “Quando vier um canal/jornal conservador o negócio [da direita] vai deslanchar”.

Quer saber mais?
The Intecept Brasil contou algumas histórias dos donos da CNN Brasil

Existe delegacia em SP

Quando candidato a governador de São Paulo, João Doria prometeu manter as delegacias da mulher abertas num regime de 24 horas. Mas ao assumir o cargo, vetou um projeto aprovado pela Alesp que obrigava o governo a fazer justamente aquilo que Doria prometera. Houve pressão popular. A Nossas, a Casa Mãe e a Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP lançaram a campanha Violência Não Tem Hora, que enviou quase 30 mil emails ao governador. No fim das contas, João Prometedor comprometeu-se novamente com o projeto. Foi uma importante vitória. Em casos de violência contra a mulher, quanto mais rápido é o atendimento na delegacia, maior é a chance de garantir segurança para a vítima.

Quer pressionar no Twitter?
Por ora serão só duas as delegacias 24h, em todo o estado de São Paulo
https://twitter.com/jdoriajr

Mas existe preconceito em SC

Na segunda-feira, 14, o governador de Santa Catarina Carlos Moisés, do PSL, vetou um projeto de lei, aprovado em dezembro, que dava às pessoas trans o direito à identificação pelo nome social em cadastros, formulários, prontuários, e registros escolares da administração pública estadual. Mas a OAB de Santa Catarina defendeu a constitucionalidade da lei, lembrando que o governo federal publicou um decreto, em 2016, permitindo que travestis e transexuais usem o nome social no serviço público. O governador voltou atrás e anunciou um decreto, a ser assinado nos próximos dias, para permitir o uso de nome social.

Quer se manifestar?
Pressione o governador para assinar o decreto
https://www.facebook.com/governadormoises/

Perto do fim

A notícia relativamente boa do mês foi que a investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, parece ter se aproximado de uma conclusão. Uma operação tocada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu ao menos cinco integrantes do Escritório do Crime, a milícia mais antiga e perigosa do estado. O ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe da milícia, está foragido. Mas sua mãe e sua mulher têm endereços conhecidos, pois trabalharam no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. Flávio, aliás, foi o único deputado estadual que votou contra conceder a medalha Tiradentes para Marielle, no ano passado.

Que saber mais?
Entenda como funciona a milícia que atua no Rio das Pedras

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.