Kicis Bengalas

19/02/2019
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Aos inimigos, as PECs

Em 2015, no meio da sua vendetta contra Dilma Rousseff, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aprovou a chamada PEC da Bengala, que aumentava a idade da aposentadoria compulsória dos ministros do STF de 70 para 75 anos. A decisão, que teve apoio do então deputado Jair Bolsonaro, prolongou a vida útil de quatro ministros que seriam substituídos durante o mandato de Dilma. Agora, a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), aliada de Bolsonaro, está colhendo assinaturas de deputados para revogar a emenda. Em tese, a medida poderia acelerar a saída dos ministros Ricardo Lewandowski e Rosa Weber, dando a Bolsonaro o poder de indicar quatro novos nomes para o Supremo (já que Celso de Mello e Marco Aurélio Mello vão se aposentar durante o seu mandato, com ou sem revogação da PEC). Na prática, o presidente do STF, Dias Toffoli, já avisou que a manutenção dos atuais ministros até os 75 anos é um direito adquirido, e a revogação seria inútil nesse caso.

Quer se manifestar?
Escreva para a deputada Bia Kicis
dep.biakicis@camara.leg.br

Volta, Rosie

Rosie é um robô que investiga gastos suspeitos de deputados. Quando encontra algum indício, publica instantaneamente em sua página no Twitter, de forma a que qualquer pessoa possa checar se houve irregularidade. Assim era, até a semana passada, quando a rede social bloqueou os posts automatizados do bot. A proibição decorreu de uma operação pente fino, feita pelo próprio Twitter, para desativar robôs que se fazem passar por pessoas, publicando propagandas e mensagens falsas. Acontece que a descrição do perfil de Rosie avisa, justamente, que ela é um robô a serviço da democracia. Caso o Twitter não reveja o caso, o país perde a oportunidade de denunciar casos como o do deputado que almoçou 13 vezes num único dia, ou do que comeu no Rio Grande do Sul e depois no Acre, tudo em um intervalo de 15 minutos.

Quer a volta da Rosie?
Peça ao @TwitterBrasil o desbloqueio da @RosieDaSerenata, ou escreva posts com a hashtag #DesbloqueiaRosie

Quer investigar os gastos?
Conheça o Jarbas, site onde as despesas são listadas de maneira simples de conferir

Beijo grego

Há uma frase atribuída ao escritor Leon Tolstoi que diz: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”. Mas, talvez por Tolstoi ter nascido na Rússia – um indicativo inequívoco de comunismo -, a ideia não demoveu o chanceler Ernesto Araújo de tocar fogo na própria vizinhança. Na semana passada, o branco mais grego do Brasil anunciou o fim das aulas sobre história da América Latina do curso de formação do Instituto Rio Branco. No lugar, os alunos terão as disciplinas Clássicos 1 e 2, focada em autores da Europa e dos Estados Unidos. Araújo deve mudar também a direção do Instituto, nomeando o embaixador Nestor Forster, responsável por tê-lo apresentado ao youtuber Olavo de Carvalho – que, por sua vez, foi o responsável por indicar Araújo ao Itamaraty. O fim da disciplina acompanha a política do ministério , que já extinguiu a subsecretaria-geral de América Latina e do Caribe.

Quer se manifestar?
Fale com o ministro
https://twitter.com/ernestofaraujo

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