Largados e peladoss

23/01/2019
_____

Efeitos da bravata

Duas semanas atrás, o governo Bolsonaro anunciou que o Brasil estava deixando o Pacto de Migração da ONU – um documento assinado por 164 países que prevê um conjunto de orientações para o tratamento de imigrantes. Ontem, 35 entidades brasileiras sediadas no exterior escreveram uma carta de repúdio à decisão, que pode piorar a vida dos 3 milhões de brasileiros que moram fora. Lembraram que o pacto os ajudaria a ter serviços bancários (nos países onde isso não estivesse coberto por legislações locais) e direitos de segurança social. Lembraram também o óbvio, ao criticar a fala de Bolsonaro, que disse que “o Brasil é soberano para decidir se aceita ou não migrantes”. O Pacto Global não obriga nenhum país a receber indiscriminadamente pessoas de fora.

Quer saber mais?
Leia a íntegra da carta

Lei Áurea?

Duzentos e dois. Esse é o número de empregadores flagrados, no último ano, submetendo funcionários a condições de trabalho análogas à escravidão. A chamada lista suja do trabalho escravo, publicada ontem pelo Ministério da Economia, trouxe um elenco variado. Estão na lista construtoras como a Centro Minas, produtoras de álcool e açúcar como o Grupo Sabaralcool, ou empresas de agropecuária como a Novo Horizonte. Os estados com o maior número de ocorrências foram Minas Gerais, com 49, e Pará com 22. As empresas autuadas só foram incluídas na lista depois de se defender e perder os recursos.

Quer saber mais?
O Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo explicou a importância da lista

Quer ficar de olho?
Confira a lista suja do trabalho escravo

O cerco se aperta

A investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, parece estar chegando a uma conclusão (conclusão, diga-se, bem complicada). Ontem, a operação Os Intocáveis, tocada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, prendeu ao menos cinco integrantes do Escritório do Crime, a milícia mais antiga e perigosa do estado. O ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe da milícia, está foragido. Mas sua mãe e sua mulher têm endereços conhecidos, pois trabalharam no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro até novembro passado. Mais: em 2003, Flávio homenageou o próprio Nóbrega, além do major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, também preso na operação. Flávio Bolsonaro foi o único deputado estadual que votou contra conceder a medalha Tiradentes para Marielle, em abril do ano passado.

Que saber mais?
Os promotores do Rio ofereceram delação premiada para Ronald Paulo Alves

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.