Little Brother Brasils

06/02/2019
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Quer filmar, Joãozinho?

Sabe aquele aluno indisciplinado que reprova na escola e volta pior no ano seguinte? Foi o que aconteceu com o Escola Sem Partido. Depois do projeto ser engavetado na legislatura anterior, a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), protocolou ontem, no primeiro dia de trabalho da Câmara, uma versão 2.0 da proposta-xodó do MBL. Como o que é ruim pode piorar,  o novo projeto propõe que os estudantes tenham o direito de gravar os professores em sala de aulas, para combater possíveis “doutrinações”. O PL, que só vale para escolas públicas, também proíbe “a promoção de atividade político-partidária” nos grêmios estudantis. A deputada federal Tábata Amaral (PDT-SP), especialista em educação, teme que o Escola Sem Partido impeça a discussão de matérias mais relevantes, como o Fundeb e a formação de professores: “O projeto em si não é um risco, porque não vai passar e, se passar, vai ser derrubado pelo STF. Mas temos a preocupação de que pautas ideológicas como essa tomem o espaço do debate.” Já existe um entendimento do Ministério Público Federal de que o Escola sem Partido é inconstitucional.

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Quer ler o projeto?
A íntegra já está no site da Câmara

Quer se manifestar?
Fale com a deputada Bia Kicis
https://twitter.com/Biakicis

Não pense positivo

A Tüv Süd, empresa alemã que atestou a segurança da barragem de Brumadinho, já foi suspensa, em 2010, pela ONU e impedida de trabalhar em projetos ambientais. A decisão foi feita pelo Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto, que suspendeu a empresa por falta de experiência dos funcionários e – o que é mais grave -, por uma “opinião positiva de validação”, mesmo nos casos em que o projeto gerava preocupação. Dois engenheiros da Tüv Süd, Andre Jum Yassuda e Makoto Namba, chegaram a ter prisão temporária decretada, mas foram soltos graças a uma liminar expedida ontem pelo STJ. O laudo da barragem, emitido pelos dois em setembro, apresentou problemas na estrutura e na drenagem, e sugeriu a instalação de um sistema de monitoramento – ainda assim, terminou atestando que a barragem era segura. Até o momento são 142 pessoas mortas e 194 desaparecidas no novo crime da Vale.

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Samba para Marielle

Em 2019, a Mangueira leva para o carnaval o enredo “História para ninar gente grande”, que vai narrar momentos importantes da história do Brasil pelo olhar dos excluídos pela História (assim, com “h” maiúsculo). O Descobrimento e a abolição da escravidão, por exemplo, vão ser recontados sob a perspectiva de figuras consideradas marginais, como Cunhambebe, líder Tupinambá, ou Zumbi dos Palmares e Dandara, lideranças negras do período da escravidão. Um dos versos do samba diz: “Brasil, chegou a vez/ De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, Malês”. Marielle também será homenageada em alas da Unidos de Vila Isabel, do Grupo Especial, e da União do Parque Curicica, da Série B. O desfile vai acontecer quase um ano depois do assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes, seu motorista, crime que continua sem solução.

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