Mais perdido que Vélez em tiroteios

26/03/2019
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A volta dos que não foram

A crise no Ministério da Educação parece não ter fim. Ontem o MEC publicou uma portaria suspendendo por dois anos a avaliação dos alunos do ensino básico (a ideia era que as escolas tivessem tempo de se adaptar a uma nova política de alfabetização a ser implementada). Para não perder um costume caro ao governo Bolsonaro, hoje a decisão foi revogada – embora já houvesse feito um estrago no alto escalão da pasta. A secretária de Educação Básica do MEC, Tania Leme de Almeida, pediu demissão, por discordar que o ministério implemente políticas públicas sem métricas que possam avaliá-las. Tania vinha sendo alvo de ataques do tuiteiro Olavo de Carvalho e de seus seguidores instalado no MEC. Enquanto isso, o ministério de Ricardo Vélez Rodríguez segue parado, travando a execução de projetos para a educação básica.

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Associações de defesa da educação emitiram uma nota de preocupação com os critérios religiosos adotados nas nomeações do MEC

Quer saber da situação das escolas públicas?
Segundo o Censo Escolar 2018, metade das escolas brasileiras não têm esgoto, e 16% não têm banheiros

Quer falar com o ministro?
https://twitter.com/ricardovelez

Silêncio pela memória

No dia 31 de março de 1964, uma articulação de oficiais militares depôs o presidente João Goulart e instaurou um governo ditatorial que durou 21 anos. Durante o período, pelo menos 434 pessoas morreram ou desapareceram por fazer oposição ao governo. Houve tortura, prisões arbitrárias e suicídios mal explicados, dentre uma série de crimes cometidos pelo Estado. Ainda assim, existe uma corrente que pretende fazer um revisionismo do período, tratando-o como anos de glória (sim, havia menos notícias de corrupção – o que estava mais ligado ao controle que o Estado tinha sobre a imprensa do que à ocorrência dos fatos). Para lembrar que esses anos foram de chumbo, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos vai promover a Caminhada do Silêncio, em São Paulo, no dia 31 de março. O ato é um chamado à reflexão e um momento para lembrar das vítimas da violência do Estado.

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A comissão está contando histórias de vítimas da ditadura na página do evento

Quer entender como estão tentando reescrever a história?
A piauí publicou uma reportagem contando os bastidores da tentativa de transformar o golpe militar em data festiva

Crime no Pará

Na última quinta-feira, Dilma Ferreira Silva, ativista do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), foi assassinada dentro de casa, no assentamento Salvador Allende, a 60 km de Tucuruí, no Pará. Também foram mortos o marido de Dilma, Claudionor Costa da Silva, e Hilton Lopes, um amigo da família. Dilma era coordenadora regional do MAB, e sua família estava entre as 32 mil que haviam sido desalojadas na construção da usina de Tucuruí, no Amazonas. Em 2011, ela chegou a ter uma audiência com a então presidente Dilma Rousseff, em que aproveitou para entregar um documento com reivindicações do movimento. A Polícia Civil está tratando o caso como execução, embora não saiba a motivação; segundo o MAB, não havia registro de ameaças à ativista. A ONU pediu uma investigação “completa, independente e imparcial”.

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O Brasil patrocinou no Conselho de Direitos Humanos da ONU uma resolução em defesa de ativistas de direitos humanos

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Conheça a história do MAB e de suas principais lutas

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