“Não paguem multa ambiental”, diz governador do Acres

31/07/2019
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Escola Salles de meio ambiente

No país em que o presidente questiona multas ambientais e o antiministro do Meio Ambiente é saudado por madeireiros ilegais, não ia demorar para que o mau exemplo se espalhasse para outras esferas da administração pública. Pois  o governador do Acre, Gladson Cameli (PP), foi filmado em um evento público, no dia 31 de maio, dizendo: “Se o Imac (Instituto do Meio Ambiente do Acre) estiver multando alguém, me avisa (…). Me avisem e não paguem nenhuma multa, porque quem está mandando agora sou eu”. O Imac é o órgão estadual, no Acre, responsável pela fiscalização e pela emissão de licenças ambientais. A política de “pode tudo” já está dando resultados: de acordo com o Imazon, o desmatamento no Acre no primeiro semestre aumentou 364% em comparação ao mesmo período do ano passado.

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Questione o governador Gladson Cameli
https://twitter.com/gladsoncameli

Triste ranking

O Brasil caiu de primeiro para quarto lugar no ranking dos países mais perigosos para ativistas, divulgado pela ONG Global Witness. No ano passado, pelo menos 20 defensores ligados às causas ambientais e aos direitos humanos foram assassinados no país. Essa foi a primeira vez em 17 anos que o Brasil não ocupou a liderança do ranking, mas há dois poréns: 1) o número de mortes pode ter sido subnotificado; 2) a diminuição dos casos de fatalidade não significa a diminuição dos ataques a ativistas. Entre as vítimas brasileiras estão oito ativistas envolvidos em disputas com representantes da indústria da soja, na região da Amazônia Legal do Pará. A liderança do ranking ficou com as Filipinas, país presidido por Rodrigo Duterte, um dos entusiastas da escola Bolsonaro de sociopatia.

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De acordo com a Unesco, o Brasil é o sexto país mais perigoso do mundo para jornalistas

Pedra, papel e tesoura

Na disputa entre a pedra, o papel e a tesoura no Ministério da Educação, a tesoura sempre vence. Depois de fazer um corte de R$ 5,8 bilhões no começo do ano, o governo federal anunciou ontem uma nova tesourada, essa de R$ 348 milhões. Ao todo, já foram contingenciados R$ 6,2 bilhões do MEC, o equivalente a 25% do orçamento da pasta, que teve o maior corte de verbas dentre todos os ministérios. O bloqueio, que também atingiu os Ministérios da Cidadania e da Economia, foi justificado pela redução nas projeções de arrecadação do governo para o ano de 2019.

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Os efeitos dos sucessivos cortes no orçamento da educação já começam a ser percebidos no ensino básico brasileiro

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