No Rio, inundação ameaça destruir 4 mil obras de artes

10/04/2019
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Cultura inundada

A chuva que trouxe caos ao Rio de Janeiro fez estrago também no patrimônio cultural. O Museu Casa do Pontal – que tem o maior e mais importante acervo de arte popular no país –  alagou, colocando em risco mais de 4 mil obras de artistas como Mestre Vitalino, Adalton, Nino, G.T.O. e Zé Caboclo (300 obras tiveram que ser retiradas durante o temporal). Os alagamentos – foram seis nos últimos oito anos – começaram após a construção de um condomínio no entorno, que rebaixou o lençol freático. Para compensar, o ex-prefeito Eduardo Paes cedeu terreno e verba para uma nova sede, na Barra da Tijuca. Só que a Calper, construtora responsável, entrou em recuperação judicial, deixando o edifício inacabado. Num apelo publicado ontem nas redes sociais, o Museu Casa do Pontal explicou que 70% da nova sede está pronta – e que apenas cinco meses de obra seriam necessários para salvar o acervo.

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Cultura resgatada

Depois de anunciar cortes de R$ 21 milhões no programa musical Projeto Guri, e de R$ 154 milhões na Secretaria de Cultura, o governador de São Paulo, João Doria, decidiu recuar, mantendo o orçamento inicial da pasta. É compreensível o contingenciamento em um cenário de vacas magras – segundo o secretário de Fazenda, Henrique Meireles, o estado vai ter um déficit de R$ 10,5 bilhões em 2019. O que não está claro é o critério adotado. O governador, por exemplo, retomou um auxílio-transporte dado à elite do funcionalismo, que custou R$ 81 milhões entre maio e dezembro do ano passado. Além disso, Doria aumentou a despesa com a manutenção da sede do governo, graças a uma obra de gosto duvidoso.

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Cultura do silêncio

O governo Bolsonaro está dando claros sinais de que a transparência não é uma prioridade – ou melhor, que a transparência, assim como o comunismo, é um inimigo a ser combatido. Primeiro tentou mudar a Lei de Acesso à Informação, na base da canetada, para  restringir os dados do governo disponibilizados à sociedade civil. A mudança na LAI foi derrubada no Congresso, mas a jornalista Cristina Tardáguila, da Agência Lupa, chamou atenção para outros três gestos pouco republicanos. Antes mesmo de ser empossado, Bolsonaro já restringiu o acesso de veículos de imprensa a entrevistas coletivas (sem mencionar os ataques públicos à Folha). Em fevereiro, o Ministério da Saúde tirou do ar um portal onde havia informações de programas como o Mais Médicos. Na semana passada, Bolsonaro atacou a metodologia utilizada pelo IBGE para aferir a taxa de desemprego no país – que subiu nos seus primeiros três meses de mandato.

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