O HIV, o MPF e a FABs

18/07/2019
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Edital mal editado

O Ministério Público Federal de Rondônia acionou uma base da Força Aérea, recomendando que ela não force candidatos ao cargo de oficial a apresentarem um exame de HIV. A exigência do teste apareceu em um edital de convocação em todo o Brasil. Se o teste do candidato der positivo para HIV, ele será considerado “incapaz para o fim a que se destina” e eliminado do processo. O MPF argumenta que o critério não tem embasamento científico (afinal, os tratamentos disponíveis possibilitam que um portador de HIV leve uma vida saudável). Além disso, uma portaria interministerial de 1992 proíbe o teste de HIV compulsório no serviço público federal. A FAB tem até o fim de mês para se manifestar sobre a recomendação.

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Nos últimos oito anos, o Brasil teve um aumento de 21% nos casos de infecção pelo vírus

Vilão de quadrinhos

Às vezes o antiministro do Meio Ambiente é intelectualmente desonesto em suas falas, e isso é ruim. Mas às vezes ele é honesto demais, e isso é péssimo. No começo do mês, o Ibama teve que interromper uma operação contra madeireiros ilegais em Rondônia, depois de ter um caminhão incendiado. E como reagiu o antiministro Ricardo Salles, autoridade maior do Ibama?  INDO AO LOCAL PARA SE DESCULPAR PESSOALMENTE COM OS CRIMINOSOS. Como bom antiministro que é, Salles fez um discurso de apoio aos madeireiros ou, nas palavras dele, “às pessoas de bem que trabalham neste país e que estão aqui representadas por todos vocês”. Ainda criticou as políticas públicas de preservação, que “nem sempre guardam relação com o mundo real”. Lex Luthor, Magneto, Coringa, Dr. Evil e Eduardo Cunha perdem….

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Esvaziado pelo antiministro, o Conselho Nacional do Meio Ambiente teve as suas vagas sorteadas ontem em um bingo patético

Indústria do cárcere

O Brasil tem mais de 800 mil pessoas presas, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça. A população é quase igual à de Teresina, capital do Piauí, e coloca o país em terceiro lugar em contingente carcerário (o país só fica atrás da China, em segundo lugar, e dos Estados Unidos, que ocupam a liderança). O mais grave é que 337 mil presos – ou 41,5% do total – nem sequer foram condenados (ou seja: estão detidos em regime preventivo ou provisório). Um levantamento feito pelo Ministério da Justiça em 2016 mostrou que o Brasil tinha uma taxa de ocupação de 197% nos presídios, cenário que pode piorar, já que a população carcerária cresce 8,3% ao ano. Se nada for feito, o país pode ter 1,5 milhão de presos em 2025.

Quer saber mais sobre a origem da crise penitenciária?
A Lei de Drogas de 2006 é um dos principais fatores responsáveis pela superpopulação dos presídios

Quer saber quanto custa uma prisão?
O TCU aponta que um preso no país custa, em média, R$ 23 mil por ano

Quer conhecer uma solução?
O CNJ tem um plano para diminuir a população carcerária

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