O prefeito, a fazenda, e os 583 kg de cocaínas

10/07/2019
_____

Um crime em três atos

Cena 1, ocorrida no mês passado:

O prefeito da cidade paraense de Itaituba, Valmir Climaco (MDB), estufa o peito para dizer que vai receber “à bala” fiscais da Funai que se aventurarem a visitar sua fazenda. Corta.

Cena 2, ocorrida três dias atrás:

A Polícia Federal acha 583 kg de cocaína, dentro de um avião particular, na fazenda de Climaco. Além da droga, que está sendo transferida do avião para uma caminhonete, são apreendidos dois fuzis, uma pistola e 200 gramas de skunk. Tiros. Perseguição. Dois homens são presos em flagrante; três conseguem fugir. Corta.

Cena 3, ocorrida nesta semana:

Climaco nega que a carga seja sua, alegando que o avião é de um empresário catarinense chamado Edson Wander, para quem estaria vendendo um dos seus garimpos por R$ 4 milhões. A história é real.

Quer saber mais?
Por falar em avião e cocaína, o governo brasileiro pediu à Espanha acesso à investigação sobre o sargento preso com cocaína em avião da comitiva presidencial

Anistiai, Senhor!

Em nome da fé (e do apoio político), Jair Bolsonaro resolveu ajudar as igrejas evangélicas em suas obrigações com a Receita Federal. A proposta chegou ao presidente em maio, pelas mãos do deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), aliado do Pastor Silas Malafaia. Desde então, a Receita publicou duas normas que flexibilizam as obrigações das igrejas com o Fisco. Norma 1: filiais estão desobrigadas de ter um número no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (ou seja: só a igreja-matriz precisará dar alguma satisfação ao Estado). Norma 2: organizações religiosas que arrecadam menos de R$ 4,8 milhões por ano estão dispensadas de enviar dados à Receita sobre suas movimentações diárias (antes, isso só era permitido para as que arrecadavam menos de R$ 1,2 milhão). Mesmo sem pagar impostos, as entidades religiosas têm que prestar contas ao Fisco. Hoje, somam R$ 12,5 milhões em multas por não terem apresentado as devidas declarações.  

Quer saber mais?
Bolsonaro pagou de Damares, avisando que vai indicar ao STF um ministro “terrivelmente evangélico”

Era uma vez em Rondônia

Depois de uma série de ataques realizados por madeireiros ilegais, que destruíram pontes e obstruíram estradas, o Ibama teve que cancelar uma operação que estava sendo realizada na Terra Indígena Zoró, em Rondônia. O apoio da Polícia Militar não foi suficiente para evitar que os madeireiros também incendiassem um caminhão-tanque do órgão – retaliação ocorrida depois que o Ibama destruiu oito veículos dos madeireiros (a medida é prevista em lei, mas vem sendo criticada por Jair Bolsonaro).

Quer saber mais?
Nos últimos nove meses, ao menos dez incêndios (parte deles criminosos) atingiram terras indígenas

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.