O que une o assassinato de Marielle à família Brazão?s

13/03/2019
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Quem mandou matar?

O momento é de celebrar – e de cobrar. Ontem  uma ação conjunta do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Civil resultou na prisão de dois ex-policiais militares, Ronnie Lessa e Élcio Vieira, integrantes de um grupo de extermínio chamado Escritório do Crime. Os dois são acusados, com fortes indícios, de terem matado a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. A primeira pergunta – quem matou Marielle? – parece estar respondida. Agora é cobrar, com igual veemência, para saber quem mandou matar. Meses atrás, uma delação aparentemente forjada acusou o vereador carioca Marcello Siciliano (PHS) de ter sido o mandante do crime. Mas uma reportagem do jornalista Allan de Abreu, publicada neste mês pela revista piauí, apontou para o fato de que dois deputados – os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão – foram diretamente beneficiados pela acusação contra Siciliano, com quem disputam o mesmo reduto eleitoral.

Quer saber mais?
O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) falou que é inaceitável a tese, defendida ontem por alguns promotores e delegados, de que o assassinato de Marielle não tenha mandante

A casa e a arma

No mês passado a paisagista Elaine Perez Caparroz foi brutalmente espancada, em casa, por um homem com quem ela vinha mantendo contato virtual havia oito meses. O vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) aproveitou a deixa para defender a tese, cara à sua família, de que uma arma em casa teria evitado o crime. A ideia de armar as mulheres vem crescendo no Brasil. Em um congresso antifeminista ocorrido em agosto, a ex-feminista Sara Winter disse que “uma arma na bolsa de uma mulher faz mais diferença que a lei do feminicídio”. O problema é que ao invés de eliminar o medo, desmontando os mecanismos que tornam abusos e violências frequentes, a arma faz da mulher uma reprodutora do medo. Mantém-se a lógica vil, apenas mudando os papéis.

Pauta sugerida pela roteirista e ativista Antonia Pellegrino, do #AgoraÉQueSãoElas

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O #AgoraÉQueSãoElas publicou um manifesto, em parceria com feministas de outros países, avisando que a partir de agora, a luta será também internacional

Não é não

O carnaval que acabou de passar foi vivenciado pelas mulheres, ao menos em tese, com o acréscimo de um aditivo jurídico: a lei, recém-sancionada, que criminaliza a importunação sexual, com pena de 1 a 5 anos para situações como beijo à força e puxão pelo braço. No Rio de Janeiro, a Defensoria Pública do Estado distribuiu uma cartilha no bloco Mulheres Rodadas, com instruções do que fazer em casos de assédio. Já o coletivo Não é Não distribuiu 180 mil adesivos contra o assédio nas cinco regiões do país, além uma cartilha explicando que atos podem ser enquadrados como crime. O coletivo também criou um questionário online dirigido a mulheres assediadas no carnaval. A ideia é que os dados sejam aproveitados na formulação de políticas públicas.

Pauta sugerida pelo coletivo feminista Não é Não

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No Carnaval de 2018 houve 571 crimes sexuais no estado de São Paulo – 81 para cada dia de folia

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