O vale tudo do MMA (Ministério do Meio Ambiente, no caso)s

16/01/2019
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(sic)

Parece que a ideia de monitorar as atividades de Organizações Não Governamentais contagiou o ministro do Meio Ambiente (sic), Ricardo Salles. Ontem, Salles emitiu um ofício suspendendo por 90 dias as parcerias com as ONGs que têm contrato com sua pasta (ao menos 52 delas trabalham com a preservação da Amazônia). O documento também determina que todos os convênios com ONGs firmados pelo Ibama, pelo ICMbio e pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro deverão ser remetidos ao gabinete do ministro do Meio Ambiente (sic) para anuência prévia. O Observatório do Clima, uma das organizações afetadas pela decisão, chamou a medida de ilegal, por ferir um princípio da lei 13.019/2014, que só permite a suspensão de um convênio como medida de sanção.

Quer saber mais?
O ministro do Meio Ambiente (sic) não para de dar entrevistas. Na última, desdenhou do que prega “o consenso internacional”

Quer opinar sobre o caso?
Fale com o ministro do Meio Ambiente (sic)
https://twitter.com/rsallesmma

Faroeste caboclo

Ontem, Jair Bolsonaro assinou o decreto que torna a aquisição de uma arma mais simples que a compra de um refresco no Açaí da Wal. A medida atende ao anseio de parte da população que busca soluções imediatas para o problema da violência. Mais armas (serão até quatro por pessoa) podem aumentar a impressão subjetiva de segurança – mas também hão de aumentar os dados de letalidade. O sociólogo Luiz Eduardo Soares resumiu: “As armas passarão a ser usadas em casos de conflitos que normalmente se esgotariam em si. Quando há arma em casa, há mais risco de homicídio, de violência doméstica e suicídio”. Para as mulheres, o aumento no risco é gritante: o MP de São Paulo realizou uma pesquisa, em 2017, mostrando que 66% dos feminicídios ocorrem na residência da vítima. E como reage o governo diante desses dados? Com frases como a do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que comparou a arma de fogo a um liquidificador para falar dos riscos que ela oferece às crianças.

Quer saber mais?
Quem elaborou o estudo que embasou o decreto é contra o armamento da população

Quer saber mais ainda?
O instituto Sou da Paz publicou uma nota com críticas ao decreto

Dez meses sem resposta

Esta semana fez dez meses do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. O caso, que não foi solucionado pela administração passada, está agora sob a guarda do novo governador do Rio, Wilson Witzel – aquele que participou de um ato em que dois candidatos do PSL destruíram uma placa em homenagem a Marielle. Na semana passada, Witzel disse que o caso estava perto de um desfecho. Segundo um depoimento revelado pelo jornal O Globo, o vereador Marcello Siciliano (PHS) – principal suspeito do caso – teria tido quatro encontros com o miliciano Orlando Curicica, a quem teria pedido para “resolver o problema”.

Que se manifestar?
Assine a petição da Anistia Internacional que exige a solução do caso

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