ONGs se opõem a pleito do Brasil na ONUs

03/10/2019
_____

O anticandidato

O Brasil concorre a uma vaga no Conselho de Direitos Humanos da ONU e, pela primeira vez em um período democrático, entidades da sociedade civil se manifestaram contra a candidatura. No documento em que pleiteia a vaga, o governo defende a família e a liberdade de religião, mas não menciona como vai melhorar a situação das prisões, combater a tortura, diminuir a violência policial, lutar contra a degradação do meio ambiente e agir em defesa da população LGBT. A Conectas, que está entre as ONGs contrárias à candidatura, justificou sua posição “pela guinada ideológica conservadora e a propulsão de políticas antiminorias adotada pela diplomacia brasileira desde o início da gestão Jair Bolsonaro”. Para conquistar a vaga no Conselho, o Brasil precisa de metade dos 194 votos.  O país tem se alinhado a países islâmicos como a Arábia Saudita e Paquistão em temas que envolvem gênero e família.

Quer saber mais?
Leia na íntegra as notas da Conectas e da ABGLT

Matança injustificada

O número de homicídios no estado do Rio de Janeiro caiu em 2019, mas veio acompanhado do aumento do número de mortes causadas por policiais. O Ministério Público do Estado decidiu estudar se havia uma correlação entre os dois fenômenos, e concluiu que a letalidade policial não é responsável pela redução de crimes. O centro de pesquisa do MP comparou a variação dos dois índices por área, para tentar achar um padrão de causalidade. resultado: os óbitos causados por agentes públicos não coincidem com a diminuição de crimes contra como roubo. O MP defendeu que o policiamento seja feito onde os crimes ocorrem, e não onde supostamente estão os criminosos. Entre janeiro e agosto, foram registradas 1.249 mortes provocadas por policiais, recorde que levou o MP a abrir um inquérito civil público para investigar o governo do estado.

Quer saber mais?
MemeNews mostrou que por trás da redução de homicídios, pode estar havendo uma estatização das mortes no Rio

A pesquisa, essa inimiga

Mônica Lopes Ferreira é uma imunologista do Butantan, instituto de pesquisa do estado de São Paulo. Há dois meses ela divulgou o resultado de um estudo com dez agrotóxicos, encomendado pela Fiocruz. Concluiu que os agentes causam prejuízos à saúde, indistintamente de qual seja a dosagem (a pesquisa utilizou embriões de peixe-zebra, que têm genética 70% semelhante à dos humanos). Desde então, Mônica tem sido alvo de uma perseguição no Butantan e no meio científico. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o diretor da Anvisa vieram a público contestar o resultado do estudo. Já a direção do instituto afirmou desconhecer que o estudo estava sendo realizado (em resposta, a pesquisadora afirmou que chegou a apresentar um seminário sobre o tema para 90 pessoas). Mônica também foi proibida de submeter projetos para aprovação durante seis meses, e precisou ir à Justiça contestar a punição.

Quer saber mais sobre a pesquisa?
Entenda como ela foi feita e quais foram os resultados 

Quer entender a relação entre os governos e a ciência?
O repórter Bernardo Esteves fez um longo apanhado, na piauí, de como a ciência costuma ser atacada quando o resultado desagrada

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.