Os abusos de Witzel e Doria na ponte aérea Rio-São Paulos

03/04/2019
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João cerceador

No seu afã de se fantasiar de Bolsonaro, o governador de São Paulo, João Doria, pode ter chegado mais longe do que imaginava. A ONU e a Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos criticaram uma lei estadual, sancionada na gestão Alckmin, mas regulamentada pelo atual governador, que proíbe o uso de máscaras em manifestações. A lei também obriga os organizadores a avisar o poder público pelo menos cinco dias antes do ato – o que cria uma restrição ao direito constitucional de manifestação (a lei ainda prevê que o itinerário dos protestos seja definido em conjunto com a Polícia Militar). O comunicado foi entregue ao Ministério das Relações Exteriores, que tem o dever de fazê-lo chegar ao governador, já que o Brasil é signatário de tratados internacionais que garantem a liberdade de manifestação. Mas se o chanceler diz que o nazismo é de esquerda, o que dirá da ONU?

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Wilson atirador

Depois de avisar, durante a campanha, que a polícia seria encorajada a atirar para matar, o governador do Rio, Wilson Witzel, parece estar cumprindo a promessa. Nos dois primeiros meses de 2019, foram registradas 305 mortes em confrontos com a polícia. Se a média for mantida, o ano será o mais letal desde 1998, quando o número de mortes em confronto com a polícia começou a ser levantado. Para piorar, há um risco concreto de que a taxa aumente, já que Witzel afirmou, sem nenhum pudor, que atiradores de elite estão sendo usados para abater pessoas portando fuzis. Ainda bem que tal ato – que é inconstitucional – foi condenado pela autoridade máxima da Justiça no Executivo, o ministro Sérgio Moro. Mentira, Pegadinha do Mallandro, salci fufu, glu-glu, ié ié: nesta semana, Moro defendeu que o policial atire sem que haja troca de tiros.

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https://twitter.com/wilsonwitzel

O Twitter não para

Na ânsia de se tornar o maior influenciador digital do Brasil, Jair Bolsonaro publicou ontem, no Twitter, a seguinte mensagem: “A coordenação de produção orgânica do @Min_Agricultura (Mapa), tem buscado meios de dar suporte aos produtores para que eles consigam se regularizar, ampliar a oferta e, assim, reduzir o preço dos produtos orgânicos, pois existe gigantesco potencial de alcance.” O Greenpeace Brasil respondeu ao presidente, lembrando que a ideia dele não corresponde muito bem aos fatos. No começo de janeiro, por exemplo, o governo esvaziou o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que tinha um papel importante na discussão sobre o uso abusivo de agrotóxicos. O Greenpeace também lembrou que o governo Bolsonaro vem batendo recordes na liberação da venda de agrotóxicos.

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