Plot twist: um senador do DEM salva a Amazônias

30/05/2019
_____

Jabuti no seco anda?

Foi por muito pouco. Ontem a Câmara aprovou uma medida provisória que colocava em risco o Código Florestal. A MP, de início inofensiva, visava aumentar o prazo de adesão dos produtores rurais ao Programa de Regularização Ambiental. Mas veio então um ataque de “jabutis” – apelido dado às emendas estranhas ao projeto, inseridas no meio da votação por um ou outro parlamentar. Assim, o texto passou a alterar um trecho do Código Florestal que obriga os proprietários a preservar 80% de suas terras, caso estejam na Amazônia, 35% no Cerrado e 20% em outros biomas (a ideia era usar como referência uma lei de 1965, que acabaria por eximir os proprietários de replantar uma área equivalente à Dinamarca). Em resumo: uma armadilha aprovada num único dia, derrubando um conjunto de normas que levou 11 anos para ser aprovado no Congresso. Mas no começo da noite, quando tudo parecia perdido, um plot twist: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), avisou que a MP não seria votada, enterrando o projeto, que caduca na segunda-feira.

Quer saber mais?
Até setores importantes do agronegócio eram contra a aprovação da medida provisória

Com Supremo, com tudo

Morde e assopra: depois de incitar a sua base a pressionar o Congresso e o STF nas ruas, Jair Bolsonaro se reuniu com os presidentes Câmara, do Senado e do Supremo, propondo um pacto republicano para aprovação da sua agenda (em outras palavras, pedindo aos amigues que não criem empecilhos contra decretos como o das armas, já apontado como inconstitucional pelo MPF). O indicativo de que o ministro Dias Toffoli deve deixar uma avenida jurídica aberta gerou uma reação no Judiciário. A Associação dos Juízes Federais do Brasil emitiu uma nota alegando que “é inadmissível que o presidente do Supremo Tribunal Federal antecipe-se a firmar ‘pacto’ com os demais poderes”, e que “não pode o Poder Judiciário, nem mesmo a Suprema Corte, fazer juízo prévio de conveniência e avalizar antecipadamente alterações constitucionais”.

Quer saber mais?
Rodrigo Maia também foi questionado por causa do pacto

Violência monitorada

Cinco centro de estudos de cinco estados formaram um grupo para monitorar a violência em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará e Bahia. A ideia é cruzar os dados oficiais com informações obtidas na imprensa, nas redes sociais e em iniciativas como o Fogo Cruzado. O monitoramento, que começará a ser feito em junho, inclui 16 indicadores, como racismo, homofobia, intolerância religiosa, além de ações de facções criminosas e abusos de agentes do Estado. “Queremos entender as dinâmicas locais. Não só pegar os números, mas entender por que está aumentando feminicídio ou mortes por policiais na Bahia, por exemplo. Por isso a rede de pessoas que acompanham cada um desses lugares”, explicou Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos da Violência da Universidade Cândido Mendes, do Rio, que integra o projeto.

Quer saber mais?
A iniciativa vem no momento em que os governos do Rio de Janeiro e de São Paulo estão sendo denunciados por excessiva violência das suas polícias

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.