Presidência tóxicas

30/07/2019
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Velhacaria presidencial

Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, vai ao STF exigir que Bolsonaro esclareça o que aconteceu com seu pai, assassinado pela ditadura. A ação decorre do ataque vil, pusilânime e covarde de Bolsonaro, que em tom de provocação, ofereceu contar a Santa Cruz como seu pai desapareceu no período militar (a fala de Bolsonaro, criticada até por direitistas como Rodrigo Constantino, se deu em reação ao fato de que a OAB defendeu o sigilo entre advogado e réu – um direito fundamental – no julgamento de Adélio Bispo). Fernando Santa Cruz, pai de Felipe, foi preso e assassinado aos 23 anos de idade, em 1974, pela ditadura; sua ossada nunca foi localizada. Seu assassinato foi reconhecido pelo Estado em um atestado de óbito emitido na semana passada pela Comissão de Mortos e Desaparecidos do Ministério dos Direitos Humanos.

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Nos últimos dez dias, Bolsonaro abusou do preconceito, dados falsos, mentiras e declarações em defesa da barbárie

Ataque aos waiãpis

Na semana passada, os waiãpis, etnia indígena do norte do Amapá, tiveram o líder Emyra Waiãpi assassinado durante uma invasão de suas terras por garimpeiros armados. A Terra Indígena Waiãpi é a única no Brasil com autorização para a exploração de ouro, feita de maneira artesanal pelos próprios moradores realidade que Bolsonaro promete mudar, expandindo a autorização de garimpo para todas as Terras Indígenas. A alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michele Bachelet, condenou o assassinato do líder waiãpi, e pediu ao governo que reveja a sua proposta de abrir mais áreas da Amazônia para mineração. A relatora da ONU para os Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, foi além, atribuindo a responsabilidade por essa violência a Bolsonaro, que costuma repetir que as demarcações atrasam o desenvolvimento. Como era de se esperar, Bolsonaro contestou a notícia de que tenha havido um crime na terra dos waiãpis.

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Os Yanomami também estão tendo suas terras invadidas com frequência por garimpeiros

Cheque especial

Ontem, dia 29 de julho, o planeta entrou no cheque especial dos recursos naturais utilizados pela humanidade. A conta é simples: em 2019 o ser humano já consumiu mais recursos do que a Terra é capaz de regenerar em um ano. O Dia da Sobrecarga da Terra é calculado desde 1970. Vinte anos atrás,  caiu em 29 de setembro. Dez anos depois, foi adiantado para 18 de agosto. Agora já está ocorrendo em julho. O que nos aguarda para o futuro, segundo os cálculos, é que até 2030 vamos precisar de dois planetas para dar conta da demanda anual de recursos. Além do cálculo mundial, foi feita uma conta considerando o consumo de apenas um país. Contrariando aqueles que acham que o Brasil faz muito pelo meio ambiente, o nosso Dia da Sobrecarga cai amanhã, dia 31 de julho.

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Este ano o Ibama aplicou 23% menos multas que a média do mesmo período dos últimos cinco anos

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