Quem dera não ser um peixes

30/04/2019
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História de pescador

Depois dos esquerdistas, dos comunistas, dos gayzistas, das feministas, dos jornalistas, dos ambientalistas, dos indígenas, dos professores, dos alunos de filosofia e das árvores, o governo Bolsonaro tem um novo inimigo para chamar de seu: os peixes. Na semana passada, o Ministério da Agricultura enviou um pedido à sua filial – o Ministério do Meio Ambiente – pedindo a suspensão da lista de animais aquáticos ameaçados de extinção. No documento, a Agricultura afirma que o Brasil deveria adotar uma metodologia própria em vez de seguir a lista da União Internacional para Conservação da Natureza (que vem a ser a maior autoridade no assunto). Das 5.148 espécies aquáticas catalogadas no Brasil, 410 estão na lista – que é usada como critério para protegê-las da pesca. Como era de se esperar, o antiministro do Meio Ambiente concordou em estudar  o pedido.

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Fim do plástico

A Comissão de Meio Ambiente do Senado aprovou um projeto de lei que pretende restringir o consumo de plástico no Brasil. O PL proíbe a fabricação e a importação de canudos, sacolas e utensílios descartáveis de plástico, além de cosméticos que usam microplásticos em sua composição, como sabonetes e cremes esfoliantes. O projeto foi criado por uma iniciativa popular, no portal e-Cidadania, e agora pode ir a votação no plenário do Senado. De acordo com uma pesquisa da WWF, o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, gerando 11,3 milhões de toneladas por ano, mas é o que menos recicla, em termos absolutos e comparativos: apenas 145 mil toneladas são reprocessadas, ou 1,28% do lixo total gerado.

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Bastam 20 mil apoios a uma ideia legislativa sugerida no e-Cidadania para que ela seja transformada em sugestão, e seja apreciada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado

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Cabe agora ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pautar o projeto no plenário da casa
https://twitter.com/davialcolumbre

704 mil pessoas

O Brasil é o terceiro país do mundo em número absoluto de pessoas encarceradas. Os dados são do Monitor da Violência do G1, segundo o qual o Brasil tem 704 mil presos, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Comparativamente, considerando o número de presos em relação à população, o país fica em 26º, com 335 presos para cada 100 mil habitantes. Do total de presos do Brasil, 35,9% são provisórios. Há também um déficit de de espaço, com 415 mil vagas para os mais de 700 mil presos. Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que não existe uma correlação entre o aumento do número de presos e a diminuição de homicídios, já que ambos aumentaram nos últimos 20 anos. A maior parte das pessoas estão presas por crimes contra o patrimônio ou relacionado a drogas.

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