R$ 3,8 bilhões de prejuízo em remédioss

05/09/2019
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Patente pateta

O Ministério da Saúde vai gastar R$ 3,8 bilhões nos próximos dez anos comprando remédios que já poderiam estar com a patente quebrada. É que a Lei de Propriedade Intelectual permite que a patente de um medicamento seja prorrogada caso o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) demore mais de dez anos para analisar um pedido. E como o INPI tem pouco braço para muita demanda, 92% dos 683 pedidos de patente de remédios apresentados desde 1997 atrasaram. Dessa forma, o medicamento genérico não é lançado, e o governo se vê obrigado a comprar o remédio original, muito mais caro. Exemplo concreto: o Humira, para artrite, deveria ter perdido o monopólio em 2017; graças ao atraso na avaliação, a patente foi estendida até 2020, gerando um prejuízo estimado de R$ 990 milhões para a União. Os dados são da UFRJ.

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Autoboicote

Jair Bolsonaro conseguiu unir um país – e não é o Brasil – contra ele. A ex-presidente chilena e atual alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, disse que houve uma “redução do espaço democrático” no Brasil, referindo-se ao aumento da letalidade policial em estados como Rio e São Paulo. O resto é conhecido: Bolsonaro ofendeu a memória do pai de Bachelet, militar torturado e morto pela ditadura de Pinochet, obrigando o atual presidente do Chile, Sebastián Piñera – que não só é de direita, como é do partido opositor ao de Bachelet – a criticar o brasileiro. Setores do centro e da esquerda chilenos também repudiaram a fala de Bolsonaro. Para além da vergonha internacional, o caso cria um problema objetivo: o de enfraquecer a campanha do Brasil a uma vaga no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em uma eleição que parecia fácil (são dois candidatos, Brasil e Venezuela, para duas vagas).

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E por falar em consenso…

Os panarás e os kayapós são duas etnias indígenas da Amazônia, que travaram uma longa guerra entre si, com direito, nos anos 1960, a massacres cometidos por ambos os lados. Pois mesmo diante desse histórico, as etnias decidiram se unir contra o que consideram um inimigo comum: a política ambiental do governo Bolsonaro. O encontro, promovido pela Rede Xingu+, juntou integrantes de mais doze grupos, virando uma espécie de Assembleia Geral da ONU dos povos indígenas do Xingu. Segundo a Xingu+, no primeiro semestre deste ano, a Terra Indígena Menkragnoti, dos kayapós, perdeu 68,9 mil hectares de floresta – o equivalente a uma cidade de Salvador – devido a queimadas e desmatamento.

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