Senhor grileiro, por obséquio, aceita uma vistoria?s

28/05/2019
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Aviso prévio

Parece piada de português. O Ibama publicou uma nota, ontem, anunciando onde serão as próximas operações de fiscalização na Amazônia. É como se Obama avisasse Bin Laden que iria caçá-lo no Paquistão, que Snowden avisasse à NSA que publicaria documentos secretos, ou que o goleiro Alex Muralha mostrasse ao jogador pra que lado pularia na cobrança do pênalti (se bem que esse último até ocorreu). Pois bem, o antiministro Ricardo Salles fez o Ibama declarar que a fiscalização vai ocorrer na Floresta Nacional do Jamanxim, no sudoeste do Pará, que vem sendo alvo de grileiros e madeireiros. Em 2019, o Ibama registrou o menor número de multas aplicadas em 11 anos. O ICMBio não fez nenhuma operação de fiscalização na Amazônia no mês passado.

Quer saber mais?
O antiministro ainda quer usar o dinheiro do Fundo Amazônia para indenizar proprietários de terra

Quer se manifestar?
Pergunte ao antiministro o que ele acha de operações de fiscalização feitas com aviso prévio
https://twitter.com/rsallesmma

Desproteção à testemunha

Parece piada de português – parte II. Em nome de uma suposta boa governança, a ministra do Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, Damares Alves, quase pôs em risco o Programa de Assistência e Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita) no Rio de Janeiro. O ministério mudou as exigências burocráticas para a prestação de contas dos mantenedores do programa, exigindo os nomes das 46 famílias atendidas pelo Centro de Direitos Humanos de Nova Iguaçu – gente que testemunhou contra milicianos e traficantes. segundo o coordenador de Direitos Humanos da Defensoria Pública do estado, foi a primeira vez desde a criação do Provita, em 1999, que o governo federal exigiu a identidade dos assistidos. Ao fim, Damares se viu obrigada a recuar.

Quer saber mais?
O programa de proteção a testemunhas no Rio já sofre com falta de verbas

Quer saber por que a ministra pediu a identidade das testemunhas?
Pergunte para ela
https://twitter.com/DamaresAlves

Crise penitenciária no Amazonas

Desde domingo, 55 presos foram mortos em quatro unidades penitenciárias no Amazonas, em função de brigas internas numa facção que controla os presídios no estado. Um dos massacres aconteceu no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde outros 56 presos já haviam sido mortos, em janeiro de 2017, também por disputa territorial entre criminosos. Antes do massacre de 2017, um relatório do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, órgão ligado ao Ministério da Justiça, já alertava para as condições de insegurança e os riscos de um conflito no Compaj. Em 2015, a ONU também alertou para o risco de conflito nos presídios do estado.

Quer saber mais?
O ministro da Justiça, Sérgio Moro, vai enviar para o Amazonas integrantes da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária

Quer questionar o ministro?
Escreva para ele
https://twitter.com/SF_Moro

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