Shopping Pátio Higienizados

28/02/2019
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“Verdadeira higiene social”

O shopping Pátio Higienópolis está localizado em uma das regiões mais nobres de São Paulo. Acontece que essa região – o bairro de Higienópolis – fica perto do Centro, onde milhares de pessoas vivem em condições precárias. Pois bem, dias atrás, o Pátio Higienópolis pediu à Justiça o direito de apreender menores em situação de rua que estivessem dentro de suas dependências, sob a alegação de que praticam “atos de vandalismo, depredação, agressão, furtos e intimidação aos frequentadores”. A juíza Mônica Gonzaga Arnoni, da Vara da Infância e da Juventude, negou o pedido, alegando que o shopping quer fazer uma “genuína higiene social” – o que fere o direito constitucional de ir e vir dos menores. A posição do Pátio Higienópolis provocou uma manifestação de entidades do movimento negro, que se reuniram ontem no local, protestando também contra assassinato recente de um jovem negro em um supermercado da rede Extra, e da expulsão de um empresário, também negro, de uma agência da Caixa.

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#FicaIlona

Foi publicada ontem, no Diário Oficial da União, a nomeação da cientista política Ilona Szabó para uma vaga de suplente no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. O órgão consultivo, ligado ao Ministério da Justiça, é uma espécie de “think tank” da justiça criminal: elabora projetos de prevenção à criminalidade, pensa nos parâmetros para a concessão de indultos, e faz avaliações periódicas do sistema penitenciário. À diferença de alguns nomes do primeiro escalão federal, Ilona tem currículo:  ela é diretora-executiva do Instituto Igarapé, uma ONG que defende políticas públicas progressistas de combate à criminalidade, como a descriminalização das drogas e o desarmamento. Em condições normais de navegabilidade, tal histórico serviria para qualificá-la. Nas condições atuais, Ilona foi transformada em esquerdista – e, portanto, “inimiga da pátria” (e isso porque ela é cofundadora do movimento liberal Agora!). Resultado: ontem o nome da cientista política foi parar nos Trending Topics do Twitter, numa campanha orquestrada por setores da direita, que pedem sua desfiliação do conselho.

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Leia o regimento do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária

Menos ainda é muito

O número de mortes violentas no Brasil caiu 13% em 2018 em comparação com 2017, segundo dados do Monitor da Violência, uma parceria do site G1 com a Universidade de São Paulo. O país saiu de inacreditáveis 59.128 para absurdos 51.589, o que dá uma taxa de 24,7 mortos a cada 100 mil habitantes – e o que ainda nos deixa entre os 20 países mais violentos do mundo. A Bahia foi o estado com o maior número de homicídios, 5.613, seguido pelo Rio de Janeiro, com 5.163. Esses dados, no entanto, não incluem o de mortes causadas por policiais – que são mais difíceis de serem obtidos junto às secretarias de Segurança Pública dos estados. Ou seja, o ranking pode piorar, especialmente no Rio de Janeiro, onde pelo menos 1.444 pessoas foram mortas pela polícia no ano passado, de acordo com um acompanhamento paralelo feito pela Human Rights Watch.

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Navegue pelo mapa interativo do Monitor da Violência do G1

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