Stalinismo à brasileiras

26/02/2019
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Juventude bolsonarista

A lógica bolsonarista de decidir e voltar atrás começa a se espalhar pelo andar de baixo. Ontem o Ministério da Educação enviou uma mensagem para as escolas públicas pedindo que alunos, professores e funcionários passassem a fazer forma para cantar o hino nacional – e mais, que as cenas fossem gravadas e enviadas para a Secretaria de Comunicação. O comunicado também pedia que os alunos fossem apresentados a uma mensagem do ministro Ricardo Vélez Rodriguez, que assim dizia: “Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de vocês, alunos, que constituem a nova geração. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”. Vélez Rodriguez só esqueceu de dois problemas: 1. O slogan de uma campanha não pode se confundir com o slogan de um governo; Bolsonaro preside um país, não um grupo de WhatsApp; 2. Filmar menores de idade sem o consentimento dos responsáveis é ilegal. Hoje pela manhã, foi obrigado a recuar.

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Quer se manifestar?
Questione o ministro Vélez Rodriguez
https://twitter.com/ricardovelez

Damares World Tour

Depois de uma turnê nacional cheia de frases polêmicas, a ministra Damares Alves, esteve na reunião da Comissão de Direitos Humanos da ONU, e mostrou uma versão mais branda de sua oratória. Disse que o governo tem acolhido pedidos no programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, mencionou ações de combate ao feminicídio e ao abuso sexual, mas também explicitou sua posição contra o aborto, ao falar em “direito à vida desde a concepção”. A ONG Conectas lembrou que há uma oposição entre a defesa das mulheres e a criminalização do aborto, já que a ilegalidade do ato coloca em risco a vida de mulheres que poderiam estar sendo atendidas de forma legal em hospitais públicos e privados.

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Leia a nota da Conectas

Crédito Insustentável

Desde 2008 o Banco Central vem criando normas para restringir o acesso ao crédito de produtores rurais da Amazônia Legal que não estejam comprometidos com uma produção sustentável. A oferta de crédito diminuiu, mas não o suficiente para que evitar que alguns  praticantes de desmatamento ilegal ainda conseguissem empréstimos bancários. Segundo o Ministério Público Federal, o Banco do Brasil fez pelo menos 55 empréstimos irregulares entre 2008 e 2011. “As propagandas de serviços e linhas de crédito que abusam dos termos ‘responsabilidade socioambiental’ e ‘sustentabilidade’ não retratam essa realidade nas operações de concessão desses financiamentos a diversos empreendimentos situados na Amazônia”, concluiu o MPF.

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