STF julga férias de 60 dias (para os Advogados da União)s

19/09/2019
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Luta pela igualdade (de privilégios)

Nesta semana, o STF decidiu que vai julgar se os advogados da União devem ter direito a 60 dias de férias. O recurso, impetrado em 2015 pela Associação Nacional dos Advogados da União (Anauni), argumenta que o direito deve ser concedido em função de um princípio de igualdade, já que juízes federais e procuradores da República têm dois meses de dolce far niente (ou seja: na dúvida entre equivaler com uma casta privilegiada ou com o resto do país, que valha a igualdade de castas).  Não custa lembrar que os advogados da União têm remuneração que pode chegar ao teto do funcionalismo, de R$ 39,2 mil, e que o STF terá de se debruçar sobre essa grande questão de interesse público enquanto 39 mil ações tramitam na corte.

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Entenda como funciona o plenário virtual do STF

Vamos falar de coisa boa?
Em contrapartida, um grupo de advogados lançou uma rede para defender gratuitamente pessoas e organizações que tiveram seus direitos fundamentais violados

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Nesse link você encontra o e-mail de todos os ministros do STF

O número é… oito

No último fim de semana, um incêndio em Alter do Chão, no Pará, lambeu 11,7 quilômetros quadrados  de uma área de proteção ambiental (o terreno equivale a 1.647 campos de futebol). A Secretaria de Meio Ambiente de Santarém suspeita que o incêndio tenha sido causado por ação humana, de forma a liberar terras para o turismo. Até aí, nada de novo. O detalhe importante, revelado por um relatório da Humans Rights Watch, é que  o Pará tem apenas oito – sim, oito! – inspetores do Ibama atuando numa área do tamanho da França. A precarização é tanta que a Procuradoria Geral da República recomendou que o Ministério da Economia autorize a pasta do Meio Ambiente a contratar novos agentes para o Ibama. Agora só falta combinar com os russos (quer dizer, com o Salles).

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O relatório da HRW também mostrou que o Brasil só julgou 14 dos 300 assassinatos de ambientalistas ocorridos nos últimos dez anos

Não conhece a expressão “combinar com os russos”?
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Vilão de quadrinhos

Aliás, por falar em Ricardo Salles, o antiministro preferido dos mineradores, madeireiros e representantes do agronegócio resolveu fazer carreira internacional, agendando um encontro com negacionistas da mudança climática nos Estados Unidos. O rendez vous ocorre hoje, em Washington, onde fica a sede do Competitive Enterprise Institute, entidade que “questiona o alarmismo sobre o aquecimento global” e “opõe-se ao Acordo do Clima de Paris e ao protocolo de Kyoto” (poxa, roteiristas do governo Bolsonaro, não tinha como inventar um vilão menos caricato?). A assessoria de Salles disse que o encontro servirá para “ouvir os mais diversos atores sobre o assunto”, sem fazer “juízo de valor”. Mas o próprio antiministro já declarou, no passado, o valor que dá ao tema da mudança climática.

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Antes de viajar, Salles teve uma reunião com garimpeiros que não foi publicada em sua agenda oficial

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