Lavou (o dinheiro), tá novos

22/02/2019
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Nota dos editores

Toda sexta, MemeNews publica uma edição especial, em parceria com ONGs, institutos e agências. A de hoje, sobre dados públicos, teve curadoria e edição da Transparência Brasil.

As laranjas e a lavanderia

O ano começou com a divulgação pelo Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, das estranhas movimentações envolvendo o motorista Fabrício Queiroz e o senador Flávio Bolsonaro – que chegou a fazer 48 depósitos seguidos de R$ 2 mil, em sua própria conta bancária. Para descrever a maneira como dinheiro costuma ser lavado, a Transparência Brasil fez uma thread de Twitter relatando o papel do Coaf. Explicou, por exemplo, que a lavagem precisa estar associada a um crime anterior – afinal se o dinheiro estava sujo, é porque foi obtido de maneira ilegal. Ao Coaf, portanto, cabe buscar movimentações bancárias que não condizem com a renda do suspeito. A thread também explica que órgãos como o Coaf se tornaram comuns em tratados de cooperação internacional, especialmente depois do atentado de 11 de setembro, que foi financiado com dinheiro lavado.

Quer saber mais sobre o Coaf?
O Politize explicou em detalhes como funciona

Mãos à obra

De acordo com o IBGE, o Brasil tinha, em 2017, um terço das crianças até 3 anos fora da creche ou da escola por falta de vagas. Parte do problema ocorre no caminho entre o repasse de verbas para a construção dessas creches – feito pela União – e a construção de fato – que cabe aos municípios. Para fiscalizar as obras, a Transparência Brasil criou duas iniciativas. O Obra Transparente está monitorando o andamento de 135 construções, procurando indícios de fraude nos editais e nos contratos de execução. Já o aplicativo Tá de Pé funciona com a colaboração dos usuários, que são convidados a fotografar o andamento das obras.

Quer saber mais?
Um relatório gerado a partir de dados do Tá de Pé diagnosticou que 59% das obras de escolas ou creches do Brasil apresentam algum problema

Pedidos perdidos

A Lei de Acesso à Informação – aquela que tentou ser mudada na canetada, sem sucesso, pelo governo Bolsonaro – obriga os órgãos públicos a facilitar a divulgação de suas informações a qualquer pessoa. Mas será que isso acontece? E que tipo de pedido costuma ser feito? O projeto Achados e Pedidos coletou mais de dez mil requisições. Resultado: quase metade dos pedidos feitos aos poderes executivos (em qualquer das esferas) não foi respondido. A prefeitura de Salvador (44%) e o Conselho Nacional de Justiça (43%) foram os dois órgãos com mais requisições negadas. A Transparência Brasil fez recomendações ao poder público, como a adoção de uma linguagem mais simples na divulgação dos dados e a digitalização de informações e documentos.

Quer se aprofundar?
Leia o relatório final do Achados e Pedidos

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.