Torta de climão climáticos

18/01/2019
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Fóssil para o dinossauro

Antes mesmo de tomar posse, Jair Bolsonaro já ajudava o Brasil a ganhar um prêmio internacional (no caso, o Fóssil do Dia, entregue pela rede de ONG Climate Action Network aos países que mais atrapalham as negociações do Acordo de Paris). A comenda, por assim dizer, decorreu da decisão do novo presidente de não sediar a COP-25, que ocorreria no Brasil em novembro deste ano – quase três décadas após o país ter realizado a Eco 1992. Também pesaram as declarações de Bolsonaro sobre a Amazônia, e a sua intenção, depois abortada, desabortada, e hoje abortada “por enquanto”, de sair do Acordo de Paris. A preocupação com o tratamento que o novo governo vai dar à floresta amazônica vem chamando atenção da imprensa estrangeira. Na semana passada, o The Washington Post publicou um editorial propondo um boicote aos produtos vindos de áreas desmatadas.

Quer saber mais sobre a COP-25?
A Conferência do Clima já tem uma nova sede, o Chile

Quer saber mais sobre a Amazônia?
O desmatamento da Amazônia brasileira aumentou 50% entre agosto e outubro de 2018

Cara de pau Brasil

Ricardo Salles, o ministro do Meio Ambiente que é condenado por improbidade administrativa deu tantas declarações nas duas primeiras semanas na pasta que o Observatório do Clima checou suas falas. O Agromitômetro apontou que Salles fez uso de fatos alternativos (para usar um termo possivelmente caro ao novo governo) quando acusou a administração anterior de abrir mão da COP-25 (mesmo havendo um vídeo em que Bolsonaro admite a autoria da decisão). O Agromitômetro também classificou como mentirosa a declaração de que “dois terços do desmatamento ocorrem em terras indígenas e unidades de conservação”, e chamou atenção para o desconhecimento de Salles acerca de questões da pasta: o ministro parecia não saber da existência do Fundo Amazônia, que é alimentado com recursos de países europeus quando há diminuição no desmatamento da floresta.

Quer saber mais?
O Estadão também checou algumas falas de Salles

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Fale com o ministro
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Blogueiro no Itamaraty

Não que tenha sido surpresa, mas não deixou de ser indigesta a decisão do Ministério das Relações Exteriores de extinguir as áreas responsáveis por políticas climáticas e energia renovável. Não foi surpresa porque o chanceler Ernesto Araújo acredita que o aquecimento global é “um dogma científico influenciado pela ideologia marxista”. O problema é que a insistência num discurso vazio de preservar a “soberania nacional” pode acabar fazendo o Brasil perder prestígio em uma área – a das pautas climáticas – onde ainda exerce uma liderança global. O Observatório do Clima alertou para o fato de que o novo Itamaraty cederá espaço “ao velho extrativismo mineral e ao agronegócio, numa primarização da política externa”, e lamentou, com pesar: “Quando Ernesto Araújo foi indicado, o OC esperava que as responsabilidades do cargo tornassem o chanceler diferente do blogueiro. O blogueiro prevaleceu – para azar do Brasil, dos brasileiros e dos nossos produtos, que devem perder mercado.”

Quer saber o que ruralistas e ambientalistas têm em comum?
Os dois grupos acham que o Brasil tem a ganhar com o Acordo de Paris

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