Três notas sobre o caos cariocas

09/04/2019
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Nota dos editores

Em condições normais, MemeNews traria hoje uma nota sobre o novo ministro da Educação, para quem não só as universidades, mas até os bancos (os bancos!!!) são comandados pela horda invisível de comunistas. Como bem escreveu o Meio, Bolsonaro dobrou a aposta conservadora. Mas dado que as condições estão longe do normal, a edição de hoje vai versar sobre o cataclisma climático, político e militar que assolou o Rio de Janeiro.

Fator Crivella

Ontem o Rio viveu mais uma noite de tragédia por causa das chuvas. Pelo menos três pessoas morreram, duas num deslizamento no morro da Babilônia, onde as sirenes de alerta não foram acionadas (três crianças ainda estão soterradas). O Túnel Rebouças precisou ser fechado, com pessoas passando mal por falta de ventilação. E como no Rio um raio cai não só duas, mas três vezes no mesmo lugar, a Ciclovia Tim Maia voltou a desabar. Para quem não sabe, a capital fluminense tem, sim, um prefeito. O nome dele é Marcelo Crivella, e ele faz umas paradas – tipo aparecer no centro de operações cinco horas após a chuva – que nenhum outro prefeito faz por você. Crivella admitiu que a prefeitura foi imprudente, mas não explicou por que não gastou um único centavo, neste ano, em drenagem urbana e contenção de encostas – isso que em fevereiro, outra chuva resultou na morte de seis pessoas.

Quer saber mais?
O Globo fez uma galeria com fotos da destruição

Você viu a Gaia?
Ela é uma cadela preta, mansa, da raça labrador, que está desaparecida desde ontem

Doutrina Witzel

Um homem, Evaldo Santos Rosa – músico e negro -, é morto por militares, depois que seu carro – onde estavam também sogro, esposa, filho e afilhada – é acertado por 80 tiros disparados por militares. E o que o presidente da República – que é o comandante das Forças Armadas – comenta em seu Twitter, onde posta até vídeo de golden shower? Nada. E o que o governador do estado – que costuma incentivar policiais a atirar para matar – declara? Que não cabe a ele fazer “juízo de valor”. Ontem o Exército determinou a prisão temporária de 10 militares, que alegaram ter atirado respondendo à “injusta agressão” – mesmo que nenhuma arma tenha sido achada no carro.

Quer saber mais?
Graças a uma lei de 2017, o crime vai ser investigado pela Justiça Militar

Quer se manifestar?
A ONG Rio de Paz vai realizar uma manifestação amanhã, dia 10, às 7h na comunidade onde ocorreu o crime

Desgoverno geral

Hoje faz uma semana que a Câmara do Rio de Janeiro aprovou a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella. A denúncia, que chega a ser trivial, partiu de um fiscal da secretaria de Fazenda, Fernando Lyra Reys: Crivella teria renovado um contrato de propaganda em locais públicos que não previa renovação (o argumento, tão frágil quanto o das pedaladas fiscais de Dilma Rousseff, só passou em função da incapacidade do prefeito de negociar com os vereadores). Crivella foi notificado, e já começou a distribuir cargos para sobreviver ao processo (ele precisa de 35 dos 51 votos para evitar o impeachment). Se não bastasse, o estado também vive sua própria barafunda política na Assembleia Legislativa: ontem a Justiça suspendeu a posse de cinco deputados estaduais presos, que haviam sido empossados na penitenciária.

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Um sexto deputado, Anderson Alexandre (SD), foi solto no mês passado, mas está impedido de assumir seu mandato

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