Três notas sobre o carnavals

01/03/2019
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Vossa excelência, o sambista

Carnaval é festa, mas também é espaço de protesto. No ano passado, a Paraíso do Tuiuti ficou em segundo lugar, no grupo especial do Rio de Janeiro, com um enredo que criticou a reforma trabalhista – e que apresentou um passista fantasiado de vampiro, numa alusão ao ex-presidente Michel Temer. Neste ano, a escola pretende levar um carrinho de supermercado para a avenida, e presentear o público com laranjas, em referência às polêmicas fiscais envolvendo políticos do PSL – entre eles, o senador (e filho de presidente) Flávio Bolsonaro. A política também estará presente no samba-enredo da Mangueira, que vai contar a história do Brasil pelo ponto de vista dos excluídos, além de homenagear, em verso, a vereadora Marielle Franco (Marielle também será lembrada por uma ala da Vila Isabel, que contará com a presença de sua família).

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Lei é lei

O carnaval deste ano vai ser o primeiro depois da aprovação da lei que criou o crime de importunação sexual. A lei prevê de 1 a 5 anos de prisão para quem cometer atos de assédio – que podem ser beijos à força, puxões pelo braço ou agressões mais violentas. Isso será lembrado pelo coletivo feminista Não é Não!, que vai aproveitar o carnaval, pelo terceiro ano seguido, para fazer uma campanha de conscientização. A ideia é distribuir 200 mil adesivos para o corpo, com a frase “Não é não!”, em blocos do Rio, São Paulo, Recife, Belém, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Goiânia.

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Bloqueio aos blocos

O carnaval de rua do Rio de Janeiro está encontrando novas dificuldades neste ano. A Riotur, empresa municipal de turismo, exigiu dos blocos que costumam atrair mais de 5 mil pessoas, que disponibilizem médicos, UTIs móveis e postos de saúde para atender eventuais emergências. Mas como os blocos são gratuitos, muitos deles não têm como arcar com os custos da nova regra. O resultado, pelo menos no último fim de semana, foi o cancelamento de oito desfiles, com decepção para os foliões e prejuízo para os ambulantes. O número de blocos autorizados a desfilar caiu de 608, no ano passado, para 498 neste ano.

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