Um aumento de 1422% no preço de um remédios

24/10/2019
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1422%!!!!

A Defensoria Pública da União, os Médicos sem Fronteiras e outras sete entidades entraram com uma representação no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), contra o laboratório norte-americano Gilead. É que o grupo farmacêutico subiu o preço do medicamento sofosbuvir, usado no tratamento da hepatite C, EM ABSURDOS 1.422% desde janeiro, quando recuperou na Justiça a exclusividade da patente. Em 2018, um convênio entre os laboratórios Farmanguinhos-Fiocruz e Blanver pôde fabricar um genérico do sofosbuvir, que foi vendido em concorrências públicas a R$ 34,80. Enquanto houve competição, a Gilead chegou a cobrar R$ 64,84 pela unidade do remédio. Depois de conseguir o direito de exclusividade, subiu o valor para R$ 986,57.

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Em setembro, MemeNews mostrou como o Brasil vai gastar R$ 3,8 bilhões em remédios que poderiam estar com a patente quebrada

Privação privatizada

No começo do ano, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou a intenção de entregar à iniciativa privada quatro presídios. Terminadas as obras, abriu a licitação – que logo foi suspensa pela Justiça estadual, por meio de uma liminar, sob o argumento de que as funções de disciplina, controle, segurança e avaliação de presos cabem ao Estado, e não a uma empresa privada. Em maio, a Pastoral Carcerária publicou uma nota técnica contra a privatização dos presídios. Alegava que o governo não havia apresentado estudos mostrando que a concessão diminuiria a despesa pública, e que tal política, de transformação das prisões em um mercado, poderia estimular o encarceramento. Agora o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo suspendeu a novamente licitação (que havia sido desembargada), sob a alegação de que houve restrição à concorrência.

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Entenda como a privatização dos presídios pode estimular o encarceramento

Boto cor-de-rocha

Uma pesquisa coordenada pela WWF mostrou que os botos da Amazônia estão contaminados por mercúrio, metal pesado que é utilizado no garimpo para separar o ouro da rocha. A pesquisa cobriu territórios do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, e encontrou 46 espécimes contaminados, cinco deles na região do rio Tapajós e do Parque Nacional do Juruena. É importante frisar que o boto é apenas um exemplo em um cenário muito mais grave, já que os peixes – que vivem nas mesmas águas – devem estar igualmente contaminados, afetando assim as populações locais que os têm como base da alimentação (uma pesquisa da Fiocruz realizada em 2016 mostrou que 92% dos indígenas da Terra Ianomâmi, em Roraima, estavam contaminados por mercúrio).  A ingestão de mercúrio pode causar dores no esôfago, diarreia, depressão, ansiedade, falhas de memória e danos no sistema neurológico.

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O garimpo ilegal está entre um dos principais motivos das invasões de terras indígenas

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