Uma injustiça desfeita após 108 diass

17/10/2019
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Sinédoque

Janice Ferreira Silva, a Preta, ficou 108 dias presa. Atriz e cantora, Preta é uma das coordenadoras do Movimento Sem Teto do Centro, que milita por moradia em São Paulo. A ativista foi detida em junho, em regime preventivo (aquele sem prazo de soltura), em uma investigação sobre extorsão em uma ocupação que não pertencia ao MSTC. Mesmo assim, o promotor Cássio Conserino pediu a prisão provisória de Preta e de sua mãe, Carmen da Silva Ferreira, também militante da causa. As duas conseguiram seus habeas corpus na semana passada, mas seguem respondendo a um processo que acusa os movimentos de extorsão e de terem ligações com o PCC. Para embasar os pedidos de prisão, o promotor tomou a parte pelo todo: valeu-se do exemplo de um movimento suspeito de conduta criminosa, o Luta Social por Moradia, para acusar todos os demais – fazendo parecer, assim, que Cosentino tenta criminalizar os movimentos sociais. A atuação do Movimento Sem Teto do Centro em algumas ocupações em São Paulo fez o movimento ganhar destaque na Bienal de Arquitetura de Chicago neste ano.

Tem que monitorar isso daí

O Imazon e o eco lançaram uma plataforma para ajudar o consumo consciente de carne. O Monitor de Termos de Ajustamento de Conduta, ou Monitac, permite que os consumidores verifiquem as práticas adotadas pelos grandes frigoríficos para evitar o desmatamento da Amazônia. O usuário da plataforma vai poder pesquisar pelo nome do frigorífico, para saber se ele firmou algum compromisso público, e se foi autuado cometendo irregularidades. O Monitac também oferece um ranking de desempenho das empresas. A ideia é que o consumidor possa fiscalizar o mercado da carne, pressionando os frigoríficos, mas também os varejistas, ao optarem por produtos de empresas comprometidas com o meio ambiente.

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Entenda a relação entre a pecuária e o desmatamento

Um pouco de respeito trabalhista

Ainda patinando para sair de uma severa crise econômica, o Brasil viu surgir um enorme contingente de entregadores a serviço de aplicativos. São 4 milhões de profissionais autônomos, sem direitos, que estão sujeitos a longas jornadas de trabalho, que podem chegar a 15 horas por dia – prática apelidada de “uberização”. Em julho a discussão ficou mais intensa depois que um motoboy a serviço de um aplicativo teve um AVC durante uma entrega e morreu, sem que a empresa lhe prestasse qualquer socorro. Para tentar remediar esse cenário, uma dessas empresas decidiu fornecer um pacote com seguro para reembolsar o entregador em até R$ 15 mil em despesas médicas, além de oferecer educação financeira. É o mínimo de dignidade.

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Entenda o que é a “gig economy”, ou a uberização

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