Uma lei para uma milícia juvenil legalizadas

02/07/2019
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Milícia oficial

O deputado estadual pelo Rio Alexandre Knoploch (PSL) protocolou na Alerj um projeto de lei que cria uma aberração jurídica chamada Polícia Militar Voluntária. A ideia do nobre deputado é recrutar jovens de 16 a 24 anos para atuar, de forma remunerada, em atividades administrativas da PM. Só que o PL também prevê que os voluntários maiores de idade possam atuar em certas atividades externas, onde terão o direito de portar armamento não letal (oi????!!). A justificativa? “Desmistificar o trabalho da Polícia Militar, apontando o seu viés voluntário, assertivo, edificante e não violento”. Há também outra forma de definir o projeto: milícia civil institucionalizada.

Quer saber mais?
No Rio as milícias controlam um bairro inteiro há mais de 20 anos, cobram taxas de segurança de moradores e chegam a fundar um “escritório do crime” que recebe a encomenda de assassinatos

Quer pressionar?
Já que o deputado Alexandre Knoploch já pediu ao governador para vetar um projeto de sua própria autoria, não custa pressioná-lo a se arrepender desse novo PL
https://twitter.com/aknoploch

Teje presa, ararinha

Bolsonaro acha que os militares são a solução para tudo. Educação? Escolas militares. Infraestrutura? Obras tocadas por militares. Animais em extinção? Pois é. Como bom seguidor do presidente, o antiministro Ricardo Salles decidiu militarizar o comando do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), nomeando quatro militares para a diretoria da autarquia. Foi só o começo. Agora o órgão está recrutando policiais militares inativos, nos batalhões ambientais, para chefiar as unidades de conservação. A medida fere uma portaria do MMA e do ICMBio que obriga que a seleção dos chefes de unidade seja feita por um comitê formado por especialistas em diretrizes técnicas – e o ICMBio tem um corpo técnico ultra qualificado. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses vai ser a primeira unidade a ter um PM na chefia.

Quer saber de algo patético?
O militar que chefia o ICMBio proibiu os chefes de unidades de conservação de conversar com o jornalista André Trigueiro, especialista em meio ambiente

Quer se lamentar?
Em junho a Amazônia perdeu uma área de florestas equivalente a duas vezes a da cidade de Belo Horizonte

Quer ler ao menos uma notícia boa ligada ao meio ambiente?
Hoje estreia Aruanas, minissérie patrocinada pelo Greenpeace e por outras ongs, que conta a história de três ativistas investigando crimes ambientais na Amazônia

Chamado às falas

O Brasil foi convocado pela ONU a prestar esclarecimentos sobre a demissão dos peritos do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura. No mês passado, Jair Bolsonaro publicou um decreto exonerando os antigos técnicos do órgão, que agora passará a ter vagas não remuneradas, o que deve inviabilizar seu funcionamento, abrindo um caminho para a institucionalização da tortura nos presídios brasileiros. Não custa lembrar que no começo do ano, o Bolsonaro Nutella (aka João Dória) havia vetado a criação do Comitê estadual de combate à tortura em Sāo Paulo. Resultado: só nos dois primeiros meses do ano o número de denúncias de tortura em presídios chegou a 73 casos, metade do total registrado no ano passado.

Quer saber quem são?
Enquanto isso, o Brasil tenta incluir grupos religiosos nas resoluções da ONU

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