Uma semana de pautas feministass

11/03/2019
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Brasil, o teu nome é Dandara

Na semana passada, a Estação Primeira de Mangueira venceu o carnaval do Rio de Janeiro com um enredo primoroso, que contestava a História do Brasil contada pelo viés do homem branco, europeu, católico, inquisidor, escravocrata e machista que colonizou o país (e a narrativa historiográfica) nos últimos 500 anos.

Um carro alegórico trazia uma réplica, toda manchada de sangue, do Monumento às Bandeiras – aquele que homenageia os bandeirantes responsáveis  explorar o interior de São Paulo (e por dizimar milhares de indígenas no caminho “rumo ao progresso”). Outro trazia imagens de velhos “heróis” do militarismo e da religiosidade – Duque de Caxias, Padre Anchieta, Floriano Peixoto – sobre pilhas de ossos. “Tem sangue retinto pisado / Atrás do herói emoldurado. Mulheres, tamoios, mulatos, / Eu quero um país que não está no retrato”, dizia o samba.

A vitória de um enredo que desvendava “o avesso do mesmo lugar”, exaltando tamoios, mulatos e mulheres coincidiu com a celebração do Dia Internacional da Mulher, ocorrido na última sexta-feira, 8 de março. Embora componham 50,8% da população do país, as mulheres são apenas 15% do Congressos Nacional (tanto que o primeiro banheiro feminino no plenário do Senado só foi construído TRÊS ANOS ATRÁS). Elas têm mais escolaridade – ultrapassam em 37,9% o número de homens com formação universitária -, mas ganham em média, 20,5%  a menos quando o assunto é salário.

Os dados da desigualdade entre gêneros e da falta de representatividade feminina são infinitos. Em função disso – e do 8 de março -, esta semana do MemeNews será toda dedicada a notícias de viés feminista.

Cada uma das notas publicadas nos próximos dias será pautada por uma mulher. A deputada federal Talíria Petrone falará do disque 180, que recebe denúncias de mulheres em situação de violência; a professora e transativista Danieli Balbi vai falar sobre o impacto que a reforma da previdência poderá causar às mulheres; a pesquisadora Michele dos Ramos levantará o debate sobre posse de armas e Lei Maria da Penha. Na sexta-feira, a edição especial vai ficar a cargo da Themis, uma ONG especializada em gênero, justiça e direitos humanos.

Por fim, vale lembrar que esta semana que se inicia coincide, também, com um marco trágico: um ano do assassinato – ainda sem respostas – da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. Marielle será lembrada em uma nota a ser publicada na quarta-feira, como de praxe, e no editorial da próxima segunda.

O manifesto em forma de samba cantado pela Mangueira lembrou que “chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês” (para quem não conhece, Luísa Mahin foi uma mulher de origem africana que participou ativamente em revoltas de escravos na Bahia no século XIX – entre elas, a Revolta do Malês).

Com toda humildade, MemeNews pede licença para parafrasear o samba da Mangueira, lembrando que também chegou a vez de ouvir as Talírias, Letícias, Antônias, Cecílias, Micheles, Danis, Juanas, Fernandas e outras milhares de mulheres que ajudam a escrever a história desse país. E que essa vez dure para sempre.

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O carnavalesco Leandro Vieira, da Mangueira, disse que o desfile foi “um recado para a sociedade brasileira”

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Reveja o desfile da Mangueira

MemeNews é financiado pela Open Society Foundations, por meio de um projeto que pretende unir humor e mudanças sociais.