Vélez faz tentativa patética de agradar Bolsonaros

04/04/2019
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Zumbi no MEC

Por incrível que pareça, Ricardo Vélez Rodríguez ainda é o ministro da Educação. O saldo da sua administração, após três meses caóticos, inclui: 1) O Enem correndo risco de não ocorrer (a gráfica responsável pela impressão entrou em concordata, e a solução aventada pelo MEC, de imprimir a prova na Casa da Moeda, parou por incompetência do ministério); 2) Universitários não conseguindo frequentar aulas (o financiamento dos alunos, feito através do Fies, apresentou falhas que têm inviabilizado as matrículas em universidades particulares); 3) Prejuízos desnecessários, devido a demissões intempestivas (a disputa entre militares, evangélicos e pupilos de Olavo de Carvalho gerou gastos de ao menos R$ 171 mil com ajuda de custos para funcionários que já nem estão mais na pasta). Diante de problemas tão graves, Vélez Rodríguez resolveu, novamente, tomar uma decisão patética, na ânsia de agradar seu chefe: negou que tenha havido golpe em 1964, e anunciou mudanças no conteúdo dos livros didáticos adotados pelo MEC, a fim de que “seja resgatada uma versão da história mais ampla”.

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Só hoje Vélez perdeu sua chefe de gabinete e um assessor especial

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Relembre o pito dado pela deputada Tabata Amaral (PDT-SP) na ida do ministro ao Congresso

Animale iracionale

A lista suja do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério da Economia (Ministério do Trabalho, saudades!) foi atualizada ontem, trazendo dois estreantes de peso. A grife de luxo Animale contratava confecções para produzir suas roupas – e essas confecções, por sua vez, terceirizavam a produção, contratando imigrantes bolivianos que trabalhavam mais de doze horas por dia em oficinas com baratas e risco de incêndio, onde eles também dormiam. O outro debutante foi o produtor Helvécio Sebastião Batista, que comercializa o Café Fazenda Cedro – marca que tem selo internacional de boas práticas concedido pela Nespresso e pela Starbucks. A nova edição da lista conta com 187 empregadores, que só foram incluídos depois de se defender e perder os recursos.

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Nascituros na Alerj

Tramita na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro um projeto de lei que cria a Política Estadual de Proteção ao Nascituro. O projeto, da autoria do deputado Marcos Muller (PHS), se propõe a “zelar pela garantia dos direitos do nascituro”, o que, na prática, pode dificultar o aborto nos casos em que ele é permitido por lei (quando a gravidez decorre de violência sexual, quando há risco de vida para a mãe, ou quando o feto é anencéfalo). O projeto é de 2016, e a previsão é de que seja votado hoje. A Beta, bot feminista do Nossas, começou uma campanha contra o projeto.

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A ONG Artigo 19 montou o Mapa do Aborto Legal no Brasil

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