A alma mais barata do mercados

12/04/2019
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Nota dos editores

Toda sexta, MemeNews publica uma edição especial, em parceria com ONGs, institutos e agências. A de hoje, sobre direitos das pessoas negras e racismo, teve curadoria e edição da Alma Preta.

Só mais um Silva

Rennan Santos da Silva, o Rennan da Penha, é DJ de funk e organizador do Baile da Gaiola, a maior festa de favela do Rio de Janeiro. No último dia 15, foi condenado a seis anos e oito meses de prisão por associação ao tráfico (ele é acusado de ser “olheiro”, passando a posição de policiais através do WhatsApp). A decisão da Justiça foi criticada pela OAB-RJ, que atribuiu a sentença à “posição de classe do ‘autor’ e sua cor de pele”, comparando com a perseguição feita ao sambistas de terreiro no começo do século XX. A defesa de Rennan alegou que a prática de alertar sobre a presença de policiais é comum, porque as operações acabam com inocentes feridos.

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Prisão do DJ Rennan da Penha reabre debate sobre atrito entre funk e polícia

Pacote furado

O pacote anticrime apresentado pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, pode ter um efeito nocivo para as populações negras e periféricas. A pesquisadora Dina Alves explicou: o projeto propõe o endurecimento de penas, além de restringir a progressão de regime – fatores que contribuem para a superlotação das cadeias, onde negros são maioria, ocupando 55% das vagas. O projeto também facilita a absolvição de policiais que vierem a matar em serviço, com o argumento de terem agido sob “violenta emoção” – e a polícia mata três vezes mais pessoas pretas e pardas. No último dia 27, 30 organizações lançaram a campanha “Pacote Anticrime: uma solução fake”, criticando o projeto, e apontando soluções alternativas.

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Você pode assinar a petição de apoio à campanha ou questionar o ministro Sérgio Moro

Tragédia na África

Moçambique é um país historicamente próximo do Brasil, já que ambos são parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Um mês atrás, o país foi devastado pelo furacão Idai, que também deixou um rastro de destruição no Zimbabwe e no Malawi, com mais de 700 mortos e 89 mil pessoas desabrigadas. Em resposta, o governo brasileiro fez uma doação de 100 mil euros, além de enviar 12 toneladas de alimentos e uma equipe do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (que se especializou em grandes desastres após o rompimento das duas barragens da Vale). A ONU fez uma página com uma compilação de notícias publicadas sobre a tragédia; doações em real podem ser feitas através da Unicef.

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O país agora vive um surto de cólera

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