Três notas sobre a Amazônias

26/04/2019
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Nota dos editores

Toda sexta, MemeNews publica uma edição especial, em parceria com ONGs, institutos e agências. A de hoje, sobre os ataques à Floresta Amazônica, teve curadoria e edição do InfoAmazonia.

Uma São Paulo a menos

Entre agosto e dezembro de 2018 o desmatamento na Amazônia cresceu 79% em relação ao mesmo período de 2017. Foram 1.706 km² de floresta desmatada, segundo dados do Imazon, uma área quase igual à da cidade de São Paulo. O Pará foi o estado com maior índice de desmatamento, responsável por 48% do total devastado. O Mato Grosso vem em seguida, com 35%. Especialistas que monitoram as atividades na região acreditam que a eleição de Jair Bolsonaro serviu de estímulo ao desmatamento – mas não foi o único motivo, já que sete dos dez municípios que mais cortaram árvores estão na região da usina de Belo Monte.

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A Amazônia está próxima de atingir um nível irreversível de desmatamento

Ilegalidade mapeada

A Amazônia é rica em minerais preciosos, como ouro e diamante, o que a faz ser alvo constante de garimpeiros. Para tentar contabilizar o estrago, a InfoAmazônia e a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georeferenciada fizeram um levantamento, localizando 245 áreas ilegais de garimpo na região. Dessas, 132 estão no Brasil e 110 no Peru (o restante se divide entre Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela).O garimpo contamina com mercúrio as águas dos rios. Em uma comunidade Yanomami, 92% das amostras de peixes e cabelo dos indígenas tinham níveis de mercúrio acima do mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

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Na Venezuela o garimpo já destruiu 110 mil quilômetros quadrados de florestas

Cabeça de bagre

As hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau começaram a ser construídas em 2008, e hoje operam em capacidade máxima. As duas ficam no Rio Madeira, um afluente do Amazonas especialmente rico em sedimentos, o que favorece a multiplicação de peixes (são mais de mil espécies catalogadas, boa parte delas migratória). Mas pesquisas feitas no rio mostram que os peixes têm sido  afetados pela construção das barragens, já que o sistema que deveria permitir a passagem dos animais não está funcionando a contento. O bagre dourado, por exemplo, que percorre 11 mil quilômetros para se reproduzir, parou de migrar, tendo sua espécie reduzida em 90% entre 2009 e 2015 – o que pode levá-lo à extinção. O estudo se concentrou apenas no bagre dourado, mas a probabilidade de que outras espécies estejam desaparecendo é real.

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As barragens do Rio Madeira também geraram impactos sociais e econômicos na região

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